O ano é 1697. Missões Jesuíticas Guaranis. Voltamos ao tempo para viver a história do passado em São Miguel das Missões. Encontramos o padre jesuíta Antonio Sepp, também arquiteto, escultor, urbanista, escritor e músico, ensinando os índios a cantar, construir e a tocar  instrumentos. Pioneiro da metalurgia, falou com entusiasmo da extração do ferro que foi utilizado em várias construções. Em 1735, deparamos com o arquiteto italiano Giovanni Battista Primoli apresentando o projeto no estilo barroco da igreja de São Miguel, toda estruturada em pedra arenito, com os seus espaços interiores ornamentados por pinturas e esculturas de madeira  com motivos sacros.

Num estalar de dedos, o professor universitário do IPHAN e arquiteto Luiz Antônio Bolcato Custódio nos fez retornar ao presente chamando a atenção para as riquezas históricas do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, localizado no Oeste do Rio Grande do Sul, declarado Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, pela Unesco. À noite, durante show nas  paredes das ruínas, relembramos toda a  saga e sofrimento dos índios Guarani, vítimas de conchavos políticos de espanhóis e portugueses, agravada com a expulsão dos jesuítas . Antes, passamos pelas ruínas de São João Batista, que  abrigam restos da estrutura do  cemitério, da igreja e do colégio, além de armações de olarias, barragem e estradas.

Toda essa imersão nas Missões, povoados indígenas criados e administrados por padres jesuítas no Brasil Colônia, entre os séculos XVII e XVIII, cujo principal  objetivo era catequizar os índios, marcou  o início da segunda edição da Expedição Nissan: Na Rota dos Patrimônios do Brasil, cujo objetivo é contribuir com a divulgação de patrimônios e aspectos históricos, culturais e naturais do país. Na primeira edição, o foco foram as pinturas rupestres.

Desta vez, os jornalistas dirigiram mil quilômetros de Passo Fundo (Rio Grande do Sul) passando por Santa Catarina e Argentina até Foz do Iguaçu (Paraná),  numa verdadeira imersão na história, fauna e flora do país. Uma aventura de três dias à bordo de 14 picapes Nissan Frontier, produzidas na fábrica de Córdoba, na Argentina que têm ainda mais versões, equipamentos e evoluções mecânicas e de projeto em comparação aos modelos usados na edição anterior, que eram importadas do México. 

O primeiro trecho foi feito debaixo de chuva que tornou os pisos das estradas sem asfalto escorregadios e enlameados. Terreno  no qual a Nissan Frontier teve ótimo desempenho, garantido pelos controles eletrônicos, motor  e tração integral  4x4. Antes de pegarmos a estrada, ainda em Passo Fundo, fomos ver o lendário Datsun 240Z, que deu origem à cultuada linha de esportivos Nissan Z, que está exposto no Museu do Automobilismo Brasileiro, um dos acervos mais importantes de carros de corrida do país, do empresário Paulo Afonso Trevisan. 

No segundo dia da “Expedição Nissan: Na Rota dos Patrimônios do Brasil”, percorremos 500 km  de estradas asfaltadas e trechos pesados de fora de estrada, entre São  Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, até Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, nos quais foi possível colocar as qualidades e toda a tecnologia da Frontier  à prova. No trajeto, o grupo almoçou dentro de uma mina, na cidade de Ametista do Sul, também integrante das reduções jesuíticas, cuja principal atividade econômica é a extração de pedras preciosas, como ágatas e ametistas.

Para nos prepararmos para a próxima missão, Ivan Carlos Bapstiston, chefe  do parque, que está sob a gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) fez uma apresentação sobre o contexto das Missões e a região do Parque Nacional do Iguaçu.

Onça pintada
No terceiro dia, deixamos Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, em direção ao Parque Nacional do Iguaçu, na região da tríplice fronteira. Para chegar até lá, cruzamos a fronteira com a Argentina e seguimos para o Parque Nacional do Iguaçu, região oeste do Paraná. Foram mais de 150 km de rodovia e também de trechos na Mata Atlântica, onde está localizado o parque.

Nesta visita, Ivan Carlos apresentou o Projeto Onças Pintadas, cujo objetivo é preservação do felino que está ameaçado, com apenas cerca de 100 onças na região que engloba os parques nacionais do Brasil e da Argentina e a região do Turvo. Ou seja, um terço de todas as onças da Mata Atlântica. A boa notícia, divulgada pelo ICMBio,  é que somente no Parque Nacional do Iguaçu, o número de onças pintadas saltou de 22, registrado em 2016, para 28 no ano passado.

Visitamos também as Cataratas, com direito ao passeio de bote  embaixo das primeiras quedas de água. O projeto Expedição Nissan: Na Rota dos Patrimônios do Brasil prossegue em 2020, com mais duas etapas, um das quais passará por Goiás. 

O conceito diferenciado, que valoriza a divulgação histórica e cultural e destaca o dia a dia das regiões visitadas, ao mesmo tempo que garante uma experiência real de condução de um veículo, fez a Expedição Nissan receber inúmeros reconhecimentos, dentro os quais o Prêmio Aberje 2018, na categoria Eventos, e Certificate of  Excellence do SABRE Awards Latin America 2018. O livro que resume a primeira edição do projeto acaba de receber o Prêmio Aberje 2019 na categoria Publicação Especial.

Fotos: Pedro Dantas/Nissan Divulgação