Depois de ser flagrado com dinheiro entre as nádegas na última quarta-feira (14), durante operação da Polícia Federal em Roraima, o senador e ex-vice-líder do governo Bolsonaro, Chico Rodrigues (DEM-RR), recebeu apoio de alguns parlamentares, que chegaram a criticar a ação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, de afastá-lo do cargo. Entre os políticos que demonstraram apoio estaria o candidato a prefeito de Goiânia, Vanderlan Cardoso (PSD).

De acordo com áudio obtido pelo Jornal Estado de São Paulo do grupo de senadores, em um aplicativo de mensagens, o senador goiano disse que espera apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para ajudar o “amigo e companheiro”.

“Não tem nada que desabone Chico Rodrigues. Espero que o Davi realmente tome providências e dê amparo legal ao nosso amigo e companheiro”, afirma Vanderlan Cardoso em áudio.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do candidato a prefeito, que reafirmou a posição favorável à manutenção de Chico Rodrigues em seu cargo até a apuração do caso pelo Conselho de Ética do Senado, além de criticar a ação “monocrática” do ministro do STF.

“A decisão monocrática do ministro do STF fere a instituição e as garantias constitucionais. Apenas uma decisão plenária, como prevê a nossa Constituição, pode afastar um parlamentar. Qualquer conduta irregular do senador Chico Rodrigues deve ser analisada pelo Conselho de Ética da Casa e, se comprovada dentro do processo legal, devidamente punida”, respondeu Vanderlan.

A decisão de Luís Roberto Barroso também despertou um instinto de preservação entre outros políticos do centrão e aliados. De acordo com reportagem da Folha de São Paulo desta sexta-feira (16), senadores dizem ver uma decisão precipitada do ministro.

Foi uma ação afoita [do Barroso]. Não pode tomar decisão assim. E o direito ao contraditório?", disse Ângelo Coronel (PSD-BA), que é integrante do Conselho de Ética do Senado. "Mesmo num caso midiático como esse, não pode ser assim", completou.

Essa ala de parlamentares, da qual Davi faz parte, defende que Rodrigues deve ser ouvido. Depois, sendo as acusações consistentes, ele poderia ser afastado num processo de cassação --mas não por uma decisão do STF.

"O caso pode ser, digamos, bizarro, mas é contra a democracia quem acha que decisão monocrática pode afastar mandato popular", afirmou Esperidião Amin (PP-SC). Outros, no entanto, discordam. "Não contem comigo pra nada disso", disse Cid Gomes (PDT-CE).