Os seis delegados da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) pediram nova lotação nesta terça-feira (15) em ofício enviado à Superintendência de Polícia Judiciária da Delegacia Geral da Polícia Civil. O motivo é a decisão da DGPC de tirar Rômulo Figueiredo de Matos do comando da delegacia, criada em julho deste ano, e substitui-lo pelo delegado Pedro Caires, que era da Regional de Anápolis.Rômulo estava à frente da equipe desde que ainda era o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor), instituído no ano passado por ordem do governador Ronaldo Caiado (DEM). O democrata, que acusa o governo anterior de ter transformado o Estado em “Disney da corrupção”, tem especial interesse em investigações de órgãos que movimentaram grande volume de dinheiro, como Goinfra (antiga Agetop), Detran, Ipasgo e Saneago.No fim de semana, o deputado estadual Major Araújo (PSL), candidato a prefeito de Goiânia, divulgou vídeo afirmando que Rômulo seria substituído porque não aceitou a tentativa de interferência em seu trabalho, que atingiria o governo de Caiado. “Rômulo é incorruptível, não aceita acordos, conchavos nem passar a mão na cabeça de alguém. Se isso se confirmar (a saída de Rômulo), lembrem do nosso vídeo”, disse o deputado, que chamou a mudança de “operação cala a boca”.A reportagem apurou que o delegado recebeu ofertas de promoção e até para comandar a Regional de Goiânia, mas não quis, e aí foi afastado do comando.Nos bastidores, há informação de que duas investigações em curso atingiam a atual administração. Uma delas envolve compras emergenciais da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). A Deccor teria inclusive já obtido autorização judicial para cumprir mandados de busca na Seduc há dois meses. A outra seria sobre credenciamento do Detran-GO.A Deccor investiga também autorização a venda de áreas da Codego para empresa do filho do contraventor Carlos Cachoeira e o sumiço de documentos por parte da atual gestão, conforme mostrou O POPULAR em junho.Em julho, a Operação Negociatas - também da Polícia Civil, mas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) - também atingiu um aliado do governador, o então diretor da Codego Carlos César Toledo, presidente do DEM de Anápolis. Diante dos desgastes, aliados do governo estariam atuando para evitar novas operações.OfícioO ofício assinado pelos delegados, inclusive por Rômulo, e encaminhado à superintendente Renata Cheim diz que, diante do documento que dispensa o chefe da Deccor, solicitam nova lotação. Os delegados Davi Freire Rezende, Francisco Lipari Jr., Maurício Rocha Passerini, Luiz Gonzaga Jr. e Magda D´Avila Cândido de Souza assinaram o ofício.A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse em nota que é “mentirosa” a informação de que haveria interesse em barrar investigações. “A atual gestão do governo de Goiás preza pela transparência dos fatos e concede total liberdade de trabalho para as forças policiais, dentro dos parâmetros legais”, afirmou.Em nota, a Divisão de Comunicação e Cerimonial da Polícia Civil de Goiás afirmou que a “alteração de titularidade de quaisquer de suas Delegacias de Polícia constitui ato administrativo discricionário do titular da Instituição, realizado sempre visando ao incremento da gestão das diversas unidades policiais”. “A alteração da titularidade da Deccor constituiu ato administrativo corriqueiro. As investigações serão preservadas, tendo-se inclusive mantido na equipe daquela Especializada o delegado que exercia a titularidade (Rômulo), que permanecerá na presidência dos inquéritos policiais e das investigações que estavam sob sua responsabilidade”, diz.Nem a SSP nem a PC-GO se manifestaram sobre o pedido de mudança de lotação dos delegados.“Não se tratou de remoção do delegado, tão somente de readequação administrativa, a fim de viabilizar que a Delegacia se torne ainda mais produtiva e intolerante com a corrupção.O Delegado de Polícia Pedro Caires detém larga experiência administrativa, tendo gerido com sucesso a Delegacia Regional de Anápolis, onde se notabilizou pela capacidade de gestão de pessoas, tem excelente currículo profissional e reputação ilibada, e certamente contribuirá muito para o pretendido fortalecimento da Deccor”, completa a nota.A reportagem tentou contato com o delegado Rômulo Figueiredo, mas ele não atendeu o celular e não deu retorno aos recados ate o fechamento desta edição.