O reverendo Amilton Gomes de Paula encaminhou nesta segunda-feira (12) para a CPI da Covid um atestado médico para justificar sua impossibilidade de comparecer ao depoimento nesta semana.

O reverendo, fundador da ONG Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), iria prestar depoimento na próxima quarta-feira (14).
O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), por sua vez, informou inicialmente que iria solicitar uma perícia no atestado médico apresentado pelo reverendo. Aziz depois aumentou a rigidez de sua demanda e pediu uma perícia médica do reverendo. A pedido da CPI, a Junta Médica do Senado federal encaminhou um ofício a Gomes de Paula o convocando para comparecer nesta terça-feira (13), às 15h, para uma perícia médica presencial.

O reverendo deve trazer toda a sua documentação relacionada ao caso, como exames laboratoriais e de imagem, além de relatórios médicos.
Amilton Gomes de Paula entrou no radar da comissão pois teria recebido autorização do Ministério da Saúde para negociar a compra de 400 milhões de doses da Astrazeneca, através da empresa Davati Medical Supply. 

Essa autorização foi concedida por Laurício Monteiro Cruz, então diretor de imunização do Ministério da Saúde, que acabou exonerado na semana passada.

O reverendo também teria sido o responsável por colocar em contato o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que buscava negociar as 400 milhões de doses da imunização, e representantes do Ministério da Saúde.

O jornal Folha de S.Paulo publicou denúncia de Dominghetti na qual afirma ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose da vacina para avançar dentro do ministério a negociação. O pedido teria sido feito pelo ex-diretor de logística da pasta Roberto Ferreira Dias, exonerado no dia em que a reportagem foi publicada.

Em depoimento à CPI da Covid, Dias confirmou que chegou a receber o reverendo Amilton Gomes de Paula em uma audiência no Ministério da Saúde. O ex-diretor foi questionado sobre quem teria pedido a ele para que recebesse o reverendo. Dias afirmou não se recordar.
Senadores da comissão desconfiam que possa ter sido alguém próximo ao presidente Jair Bolsonaro ou mesmo o próprio chefe do Executivo.
O grupo majoritário da CPI deve organizar ajustes no calendário de depoimentos desta semana.