Dois meses depois de iniciar conversas com vistas à reforma do secretariado, o governador Ronaldo Caiado (DEM) não conseguiu fechar mudanças significativas na equipe nem ampliar a base de apoio para o projeto de reeleição em 2022. Disposto a iniciar o terceiro ano do mandato com fortalecimento do grupo político, o democrata bateu o martelo em apenas três novos nomes - todos sem grande impacto no conjunto de aliados - e agora tem falado em “trocas pontuais”.

A morte do prefeito de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), e o consequente fortalecimento do Republicanos; a briga com o presidente do PP goiano, Alexandre Baldy; a eleição na Câmara dos Deputados e o cenário nacional tiveram reflexos nas articulações, segundo aliados. Mas há quem aponte também dificuldades na articulação política e o perfil pouco conciliador de Caiado.

A maioria dos aliados minimiza o fracasso da reforma. Diz que não é preciso ter pressa e que as mudanças no quadro político impactaram as conversas. Grande parte também cita que a oposição, em especial PSDB e MDB, começa agora a tentar se organizar e não tem ainda grande força, o que daria tempo ao governador.

“Nos dois primeiros anos, governa-se com equipe mais técnica. Depois é preciso construir base para a reeleição. Então, tem de agregar forças políticas”, diz o deputado federal José Nelto, presidente do Podemos em Goiás, que compõe a base. Ele considera, porém, que a definição até abril é razoável. “Houve o desentendimento com o PP e a eleição na Câmara, que demandou envolvimento do governador. E tem também o Carnaval. Sempre dizem que o Brasil começa depois do Carnaval, então até março, abril, acho que é um tempo bom para fazer a reforma. Depois disso, aí é contagem regressiva para a eleição”, afirma.

“Ele já fez algumas mexidas e acho natural promover mudanças aos poucos. Isso não afeta a base e não atrapalha a bancada governista na Assembleia Legislativa”, diz o presidente da Casa, Lissauer Vieira (PSB), aliado do governador, embora seu partido não pertença oficialmente ao grupo.

Até agora, houve nomeação de apenas um novo secretário, o ex-deputado estadual José Vitti (ex-tucano, agora sem partido) para a Secretaria de Indústria e Comércio (SIC), em uma articulação que não envolve fortalecimento do grupo de partidos, mas a melhora da interlocução com o setor produtivo.

Também houve definição do nome do assessor especial da Governadoria e ex-prefeito de Jaraguá Lineu Olímpio para a Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa), em um acerto com o Podemos, partido ao qual ele deve se filiar. No entanto, o Conselho de Administração da estatal rejeitou a nomeação, por ele ser alvo de ações judiciais. Houve solicitação de reanálise dos documentos, sob justificativa de que não há condenação.

Para a semana que vem, estão previstas as nomeações do ex-prefeito de Goianésia Renato de Castro (MDB, mas prestes a se desfiliar) na Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás (Codego) e de Henderson Rodrigues na Secretaria de Esporte, em indicação do Solidariedade. Ambos substituem nomes que eram da cota pessoal de Caiado: Hugo Goldfeld na Codego e Rafael Rahif no Esporte.

Nos dois casos, a definição já ocorreu há mais de 20 dias, mas não houve nomeações. As especulações são de que o governador sinaliza insatisfação com os vazamentos das conversas com os partidos e a divulgação dos acertos antes que ele oficialize as escolhas.

Recuos

Em duas das principais mudanças previstas no governo desde dezembro houve recuo do governador. A Secretaria de Governo iria para o deputado estadual Tião Caroço (PSDB), mas depois de idas e vindas, Caiado acabou pedindo para que Ernesto Roller (sem partido) permanecesse no cargo. Por falta de autonomia e pelo distanciamento da cúpula governista, Roller ficou afastado das articulações políticas no ano passado, mas voltou a atuar na área.

Deputados estaduais que cobravam uma interlocução com o governo, para atender demandas e informar os parlamentares sobre os projetos de interesse do Executivo, têm dito que o secretário demonstra maior respaldo para a atuação.

Já a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) iria para o PP, mas o governador desistiu de negociar com o partido depois da insatisfação com Alexandre Baldy pela entrevista que concedeu ao POPULAR no dia 25 de janeiro, cobrando um posicionamento público de Caiado em favor da eleição de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara. O governador exonerou o irmão de Alexandre, Adriano Baldy da Secretaria de Cultura, e rejeitou todas as tentativas de interlocutores de voltar a negociar com o partido.

Como a ex-senadora Lúcia Vânia deve deixar a Seds, alegando que terá de se submeter a uma cirurgia e cuidar mais da saúde, a tendência é que a pasta seja oferecida a um outro partido, possivelmente o Republicanos (leia mais ao lado), com uma parte sob influência da primeira-dama Gracinha Caiado, que coordena o Gabinete de Políticas Sociais do governo.

A tentativa de atrair o PSD e o PSB para o governo também não avançou. No PSD, apesar da defesa do senador Vanderlan Cardoso, há resistência do presidente estadual do partido, Vilmar Rocha. No PSB também há divisão interna e o comando da sigla não demonstra interesse em participar do governo.

No dia 21 de dezembro, Caiado confirmou ao POPULAR que faria alterações no quadro de auxiliares. “Mexo na equipe, sim, até porque eu acho que isso é extremamente positivo. Você tem um primeiro tempo de jogo e você tem um segundo tempo de jogo”, disse. Segundo ele, as mudanças sinalizariam os pontos prioritários das ações do governo para 2021 e 2022.