A reação de prefeitos de municípios goianos ao pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na noite dessa terça-feira (25) foi negativo. Na televisão e no rádio, Bolsonaro criticou o incentivo ao isolamento social e o fechamento de parte do comércio determinado por governadores de diferentes Estados, como prevenção ao coronavírus.

O presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Haroldo Naves (MDB), diz que os prefeitos receberam as palavras de Bolsonaro com “misto de incredulidade e perplexidade”. Apesar do pronunciamento, diz Haroldo, as prefeituras goianas continuarão adotando as medidas preventivas previstas em decreto publicado pelo governo do Estado, em que foram suspensas todas as atividades comerciais e industriais que não são consideradas essenciais à vida até o dia 4 de abril.

Presidente da Associação Goiana dos Municípios, Paulo Sérgio de Rezende (PSDB) diz que o presidente da República está “tentando jogar para prefeitos e governadores a responsabilidade da crise econômica que está por vir”. “Ele deveria chamar a Câmara, o Senado, Judiciário, Ministério Público e outros órgãos e dialogar sobre a melhor forma de agir e não simplesmente contrariar o que a própria equipe dele tem falado”, disse Paulo Sérgio, em referência às orientações do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, para que a população evite sair de suas casas.

Paulo Sérgio também diz que os municípios ligados à associação continuarão a seguir as direções determinadas pelo governo estadual. “Se ele (Bolsonaro) quer fazer desta maneira, que faça um decreto assumindo a responsabilidade”.