Eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, com 24.295 votos, Jean Wyllys afirmou nesta quinta-feira (24) que não assumirá o mandato e que deixará o Brasil. Ele contou que a decisão foi tomada por conta das ameaças que sofre frequentemente.

Ao jornal Folha de São Paulo, Wyllys disse que também pesou em sua decisão as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle Franco trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

"Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário", relatou à reportagem. "O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim", acrescentou.

Marielle Franco, assassinada em março do ano passado, era sua companheira de partido. Desde a morte dela, Jean Wyllys vive sob escolta policial. "O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: 'Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis'. E é isso: eu não quero me sacrificar", justificou ao jornal.

Wyllys também é o primeiro parlamentar assumidamente gay a avançar com a agenda LGBT no Congresso Nacional, o que resultou em perseguições pelas redes sociais.

Jean Wyllys relatou ainda que está fora do País e que deve se dedicar agora à carreira acadêmica.

A posse dos deputados federais eleitos está marcada para 1º de fevereiro. O suplente de Jean Wyllys é o vereador carioca David Miranda (PSOL-RJ), informou a Secretaria-Geral da Câmara.