A Polícia Federal encontrou quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do policial militar e motorista de Jayme Rincón, Márcio Garcia de Moura, preso na Operação Cash Delivery, deflagrada na manhã desta sexta-feira (28).

Na casa do policial, os agentes encontraram caixas de papelão que guardavam o dinheiro em notas de 50 e 100 reais. De acordo com a PF, a quantia exata é de R$ 940.260,00.

O presidente licenciado da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) e atual coordenador da campanha de José Eliton (PSDB), Jayme Rincón, foi preso pela Polícia Federal por pagamentos indevidos de valores a agentes públicos em Goiás.

De acordo com o MPF-GO, os indícios até então colhidos apontam que o ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo (PSDB) era o chefe do grupo. Jayme Rincon atuou como seu braço direito, mantendo contato com os executivos da Odebrecht e coordenando as atividades dos demais investigados, que tinham a função de buscar o dinheiro em São Paulo e trazê-lo de avião a Goiânia, atuando assim como uma espécie de preposto.

Há suspeitas de que parte do dinheiro foi usada para adquirir um veículo de luxo para o filho de Jayme, Rodrigo Rincón, que à época era estudante e não possuía renda, no valor de R$ 170 mil, pagos em espécie. A compra foi realizada pouco depois de um dos eventos de entrega de propina.

A análise dos e-mails dos investigados revelou que Jayme Rincón apagou propositalmente todos as mensagens do servidor em meados de 2016, logo após a deflagração da 26ª fase da Operação Lava Jato, que cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento da rua Haddock Lobo, de sua propriedade, onde seu filho morava e o principal local de recebimento da propina, o que indica tentativa de destruir provas. A análise dos e-mails revelou, ainda, que Jayme Rincón pagou R$ 24 mil, em dinheiro vivo, por um procedimento médico para o filho, o que indica ocultação de sua origem ilícita.

A Operação Cash Delivery foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (28), pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, com o objetivo de provar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa atribuídos ao candidato ao Senado Marconi Perillo (PSDB). As suspeitas têm como origem colaborações premiadas feitas por executivos da Odebrecht. De acordo com os investigadores, a operação tenta identificar o destino de aproximadamente R$ 12 milhões em recursos desviados.

A Assessoria de Comunicação Social da Polícia Militar disse que todas as providências legais serão adotadas no tocante ao possível envolvimento e prisão de um integrante da Polícia Militar.