O rompimento político do governador Ronaldo Caiado (DEM) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), anunciado ontem, repercutiu em outras camadas da política goiana. A maioria dos parlamentares ouvidos pelo POPULAR a respeito do assunto concorda com a posição do governador, que manteve as medidas de isolamento social e combate ao novo coronavírus no Estado, apesar das posições contrárias de Bolsonaro.

Em coletiva de imprensa ontem, Caiado demonstrou irritação com Bolsonaro, que no dia anterior voltou a criticar, durante pronunciamento, ações de governadores, além de minimizar os efeitos da doença no País, que já conta com 57 mortos. (leia mais na página 4).

Na entrevista, Caiado classificou como “ignorância” a classificação dada pelo presidente à nova doença como sendo uma “gripezinha”. “Dizer que isso é um resfriadinho? Uma gripezinha? Ninguém definiu melhor que (ex-presidente dos EUA Barack) Obama: na política, e na vida, a ignorância não é uma virtude.”

Para o deputado Lucas Vergílio (SD), que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara durante um período de 2019, o pronunciamento do presidente foi “irresponsável.” “Não foi uma postura de chefe de Estado. Não foi a forma nem o tempo correto. A sociedade esperava uma fala de conforto, de que vai conseguir resolver o problema. Fica parecendo que ele só está preocupado com a imagem dele e não com o que o País está vivendo.”

Questionado sobre o impacto que o rompimento pode ter em Goiás, o deputado afirma que, “no curto prazo, não impacta muita coisa.” “O ponto frágil do Estado é a questão da fiscal. Como o próprio Caiado fala que Bolsonaro não ajudou nisso, não impacta.” O governador voltou a reclamar de não atendimento, por parte do governo federal, dos pedidos de ajuda fiscal do Estado.

Para Waldir Soares (PSL), o Delegado Waldir, essa não atenção do governo federal aos pedidos de Goiás foi um dos motivos para o rompimento por parte de Caiado. “Caiado tentou se aproximar de Bolsonaro para conseguir recursos e viu que isso não está acontecendo. O Plano Mansueto não foi aprovado, assim como outras medidas de socorro ao Estado, enquanto ele apanha todos os dias de bolsonaristas nas redes sociais. Chegou ao limite.” Foi aliado dos dois durante a campanha eleitoral de 2018 e rompeu relações com ambos após série de desentendimentos ao longo de 2019.

Glaustin da Fokus (PSC) afirma que “Caiado está correto em relação à postura de vigilância contra o coronavírus.” Empresário, diz que “a economia de fato vai estrangular”, ressalta: “Quando se coloca na balança, a opção deve ser em relação à vida.” Fala semelhante tem o senador Luiz Carlos do Carmo (MDB): “O presidente está preocupado com os empregos. Eu também estou. Mas Bolsonaro foi muito infeliz. Só na equipe dele há muitos infectados. Primeiro a vida, depois o resto.”

Segundo José Mário Schreiner (DEM), “o momento de conciliação” e não polarização. Já Magda Mofatto (PL) afirma: “Caiado, como médico, sabe o que precisa ser feito e Bolsonaro peca na ansiedade de querer fazer o melhor. Sabemos que é preciso prevenir para não ter depois que remediar.”

Conciliação

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Vitor Hugo (PSL), diz que tentará reaproximar Caiado e Bolsonaro. Para ele, a divergência não é irremediável. “A divergência de Bolsonaro com Caiado, outros governadores, e analistas é sobre a dose do isolamento. A preocupação do presidente é e manter os empregos, pois quanto mais se aumentar as medidas sanitárias, maior a repercussão econômica, de desemprego. Então, vamos esperar a poeira abaixar e tentar fazer essa conversa”, diz.