Mais uma reunião para discutir o pagamento do salário atrasado de dezembro de parte dos servidores do Estado terminou sem acordo na tarde de ontem. Membros do Fórum em Defesa dos Servidores e Serviços Públicos do Estado de Goiás passaram quatro horas reunidos com os secretários da Fazenda, Cristiane Schmidt, e de Governo, Ernesto Roller, na sede da Secretaria da Fazenda (Sefaz), no setor Vila Nova. O governo insistiu em escalonar os salários atrasados em seis meses, a partir de março, por faixa salarial. A proposta já havia sido apresentada antes, na noite de quinta-feira (17).

De acordo com Roller, não existe outra possibilidade a não ser o parcelamento. “Podemos discutir com os servidores o arranjo dessas seis parcelas. Temos R$ 130 milhões por mês para quitar dezembro. Mais que isso, não dá. Não há fluxo de caixa”, disse o secretário. Ainda segundo Roller, o Estado garante o salário do mês trabalhado em 2019, mas, para isto ser feito, outros cortes ocorrerão. “O Estado vai suspender outros pagamentos. Todos nós do mundo político imaginávamos que Goiás estava em uma situação muito difícil. Quando entramos, descobrimos que era falimentar”.

Servidores

Na reunião, líderes de sindicatos apresentaram quatro contrapropostas. A primeira sugestão foi para o pagamento imediato do salário de dezembro corrigido. Na segunda, o pagamento imediato de metade do salário de dezembro e o restante dos valores com a folha de janeiro. Outra sugestão foi que os servidores recebessem o salário integral de janeiro antecipado, a folha de dezembro corrigida em fevereiro e a folha de fevereiro até o dia 10 de março.

A última sugestão, considerada pelos sindicatos como a mais flexível, propõe o pagamento imediato da folha de janeiro, pagamento de dezembro em fevereiro e de fevereiro até o dia 15 de março. Só a partir de maio o pagamento voltaria a ser feito até o dia 10 do mês subsequente trabalhado. Entretanto, todas as sugestões foram rejeitadas pelo governo. “Fizemos simulações dentro das propostas dos sindicatos, mas todas são inexequíveis. O Estado é deficitário mensalmente. Não podemos destinar todo o recurso do mês para pagar despesas do ano anterior”, disse Roller.

Também participam da reunião o secretário de Planejamento, Pedro Sales, e a procuradora-geral do Estado, Juliana Diniz.

Manifestação

Sem acordo, o fórum convocou assembleia geral unificada para esta segunda-feira (21), às 16h30, em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, na Praça Cívica, no Centro. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, a insistência do governo na mesma proposta mostra falta de esforço para negociação. “Apresentamos propostas como forma de demonstrar que o servidor compreende a realidade orçamentária do Estado. Vamos levar toda a discussão para a assembleia e deixar a categoria decidir”, afirmou Bia. Questionada sobre a possibilidade de greve, a presidente afirmou que este “é um caminho que não pode ser descartado por nenhuma entidade.”

Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO), Paulo Sérgio Alves de Araújo reafirma que a proposta também não agrada os trabalhadores da Segurança Pública. “Conhecemos as dificuldades do Estado. Mas, com todo o discurso feito pelo governador eleito durante a campanha, pensávamos que ele conseguiria reverter a situação de alguma forma”, disse Paulo Sérgio.

Mais de 95 mil servidores ativos do Estado ainda não receberam o salário de dezembro. O valor líquido do contracheque de todos os servidores sem salário de dezembro é, segundo a Sefaz, de R$ 763 milhões. Segundo Roller, apenas 13º salários e férias somam R$ 167 milhões.