Um dos posts mencionados pelo Supremo Tribunal Federal ( STF ) para pedir o bloqueio das redes sociais de um usuário é um compartilhamento de um post que tem apenas quatro curtidas, quatro compartilhamentos e nenhum comentário. A publicação, que pede o fechamento da Corte, foi compartilhada pelo policial civil goiano Omar Rocha Fagundes, um dos alvos de uma ação da Policia Federal que investiga ofensas a ministros do STF. A autoria da publicação é da página Brasil Sem Comunismo.No outro post de Fagundes mencionado pelo STF, o policial civil afirma que os ministros da Corte são "bolivarianos" e estão "alinhados com narcotraficantes e corruptos". O resultado em compartilhamentos é inferior ao primeiro, somente dois, mas o número de likes e comentários é melhor, sete e seis, respectivamente.Desses comentários, escritos há um mês, quatro deles são da mesma pessoa. Os outros dois são de um homem que avisa ao autor do post que a publicação foi ameaçada pelo ministro Toffoli e de Fagundes, que se diz tranquilo e afirma "Povo tem que manifestar. Eis a liberdade de expressão"."Direito de cidadão"Em entrevista ao blog da Fabiana Pulcineli, Fagundes disse que suas manifestações nas redes sociais representam "direito de cidadão e um desabafo" e que não teve intenção de caluniar nem ameaçar o STF. "É um absurdo. Tenho liberdade de expressão, meus direitos de cidadão e ainda vivemos num estado democrático de direito", afirmou, sobre a apreensão de seu celular e HDs dele e do filho.Omar admite que algumas expressões "não foram bem pensadas" ou foram "um pouco contundentes", mas diz que só quis incentivar a pressão popular por melhor funcionamento das instituições. "A participação popular ajuda as instituições a cumprir a Constituição. Não podem querer calar um cidadão brasileiro", afirmou.17 publicações em 3 diasFagundes é um usuário assíduo do Facebook. Só nos últimos três dias, ele fez 17 publicações. Desses posts, três eram críticas ao STF relacionadas a uma matéria da revista Crusoé que liga o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, à empreiteira Odebrecht -a publicação da revista foi censurada por uma ordem do Supremo nesta segunda-feira.As outras publicações, no entanto, não são sobre o STF. O policial civil também critica o Partido dos Trabalhadores, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, além de casos de corrupção. Há ainda um vídeo defendendo os caminhoneiros e dois posts com piadas.Assim como nas publicações mencionadas pelo STF, as publicações mais recentes não têm um grande alcance de usuários. O número máximo de reações que Fagundes conseguiu em um das 17 últimas publicações foi quatro. Os comentários não ultrapassam sete e há, no máximo, apenas cinco compartilhamentos em uma postagem.