O gasto dos deputados federais goianos com divulgação de atividade parlamentar quase dobrou no primeiro mês da atual legislatura, quando comparado com o mesmo período da anterior, iniciada em 2015. Foram R$ 82,4 mil neste ano ante R$ 49,3 mil naquele. O levantamento foi feito utilizando dados do Portal da Transparência da Câmara Federal.

Em fevereiro de 2015, o maior gasto foi com manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar: R$ 86.648,68. Naquele ano, em que quase metade da bancada foi reeleita, os gastos com divulgação de atividade parlamentar ficaram em terceiro, atrás de consultorias, pesquisas e trabalhos técnicos, que somaram R$ 60.941.

A atual bancada conta com dez parlamentares em primeiro mandato, apenas um a mais que em 2015, quando nove dos deputados eleitos não estavam na legislatura anterior. Dos novatos deste ano, quatro declararam gastos com divulgação parlamentar: Glaustin Fokus (PSC), com R$ 20,02 mil; Zacharias Calil (DEM), R$ 14 mil; Adriano Avelar (PP), R$ 8,8 mil; e Francisco Júnior (PSD), R$ 6 mil.

Já entre os veteranos, Célio Silveira (PSDB) liderou com R$ 20 mil em despesas, seguido por João Campos (PRB), com R$ 9 mil, e Flávia Morais (PDT), R$ 4,5 mil.

Dono do maior custo com divulgação, Glaustin diz que o gasto foi contratado para mostrar as primeiras ações do mandato, sobretudo nas redes sociais. “Estamos falando, principalmente, sobre a reforma da Previdência.”

O deputado relata que fará, em breve, um “livreto” para explicar a proposta à população. “Vamos preparar esse material para mostrar o que o governo propõe e qual será nossa sugestão para o governo.”

reforma

A reforma da Previdência, que começou a tramitar na Câmara na semana passada, também foi usada pelo deputado Adriano Avelar (PP), o Adriano do Baldy, como justificativa para seus gastos com a cota. Ele foi o segundo deputado que mais declarou gastos: R$ 32,7 mil.

As maiores despesas do pepista foram com divulgação (R$ 8,8 mil) e consultorias (R$ 9,9 mil). Segundo ele, a contratação da empresa de consultoria foi para ajudar na análise da reforma. “Viajo muito para o interior, atendendo aos municípios, e às vezes não consigo me debruçar sobre o texto. Então, contratei para me mostrarem os pontos negativos e o que podemos apresentar para fazer uma reforma mais justa.”

Sobre os gastos com divulgação de sua atividade parlamentar, Adriano afirma que são necessários. “Tive votos em 245 municípios, sou cobrado, tenho que dar a resposta e também que divulgar essa resposta. E isso custa. Então, como temos esse direito adquirido para gastar um valor, vamos gastá-lo.”

maior gasto

O deputado goiano com o maior gasto global com a cota parlamentar em fevereiro foi o tucano Célio Silveira, com custos declarados de R$ 42 mil, R$ 6,6 mil acima do limite mensal estipulado para Goiás, que é de R$ 35,5 mil. O POPULAR tentou contato com Célio Silveira durante três dias, mas não conseguiu falar com o deputado.

A Câmara permite, entretanto, que parlamentares extrapolem o valor mensal estipulado para seus Estados, desde que haja compensação nos meses posteriores – a Casa só não reembolsa valores que extrapolem o limite anual. O de Goiás é R$ 426 mil.

O valor da cota muda de acordo com o Estado, uma vez que o cálculo é feito levando em consideração o preço das passagens aéreas de Brasília à capital do Estado pelo qual o deputado foi eleito. Por isso, Goiás tem a segunda menor cota mensal entre os Estados, ficando à frente apenas do Distrito Federal, em que os parlamentares têm direito a R$ 30,7 mil por mês.

O pagamento é feito via reembolso e apenas para despesas referentes à manutenção de escritório fora de Brasília, divulgação de atividade parlamentar, custos com telefone, serviços postais, hospedagem, combustíveis e consultorias. O valor de R$ 35,5 mil disponíveis ao uso dos goianos ainda pode ser aumentado caso o deputado seja líder ou vice-líder na Casa ou ser suplente de secretário da Mesa.

Caso participe de cursos, palestras ou eventos realizados por instituição especializada, o parlamentar também pode aumentar o ganho em 25%.