Sem ajuda do governo federal, o Estado de Goiás pode não conseguir pagar o salário dos servidores no mês de junho. É o que afirma a secretária da Economia do Estado, Cristiane Schmidt. “Acho que conseguiremos fechar a folha de maio sem o dinheiro da União. Estou torcendo para a queda não ser tão drástica neste mês.” Até ontem, afirma a secretária, a arrecadação havia caído 17% em maio em relação a 2019. A crise foi provocada por medidas adotadas pelo Estado para enfrentar a pandemia de Covid-19, como prorrogação de prazos para o pagamento de impostos e aumento nos gastos com Saúde. Com mais pessoas em casa (que leva a menor consumo de combustíveis) e a proibição de funcionamento de determinadas atividades econômicas (como o varejo de vestuário), a arrecadação de ICMS caiu. “Se pegarmos abril em particular, a queda (geral da receita) foi de R$ 325 milhões. As despesas têm crescimento vegetativo. A ajuda federal vai ser de R$ 258 milhões no mês. Mesmo assim teremos buraco de R$ 39 milhões, no caso de abril. Mesmo com a ajuda, estaremos em dificuldade, imagine sem.”

Cristiane diz que o Estado é pressionado por setores para suspender o pagamento de impostos, mas afirma que o caixa do governo “não tem fôlego para isso”.

“O Orçamento de Goiás é muito apertado e o Estado tem desequilíbrio fiscal. É uma situação extremamente complicada. Preciso da ajuda federal. Outros Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul já falaram que não conseguem pagar a folha neste mês.” Cristiane afirma que o Estado estava indo bem na trajetória de ajuste financeiro, registrando aumento de arrecadação em relação ao ano de 2019. Segundo ela, diante do choque atípico provocado pela pandemia, é imprescindível a colaboração da União. “Não se trata de farra fiscal, os Estados estão tentando sobreviver.”