O número de ocorrências de queda de energia em Goiás, principalmente nas regiões Sul e Sudoeste do Estado, é aproximadamente o dobro na primeira quinzena de novembro em comparação ao mesmo período de meses anteriores. A avaliação é de Guilherme Lencastre, diretor de Infraestrutura e Redes da Enel no Brasil, que atribui tal aumento a eventos climáticos extraordinários. Ele relata que dados do site Climatempo apontam que mais que dobrou o volume de raios nessas regiões neste mês.A situação atípica causada pelas tempestades, comenta o diretor da Enel, levou à adoção de medidas emergenciais pela companhia, que reconhece deficiência de mão de obra preparada neste momento para a demanda crescente em Goiás, muitas vezes em áreas distantes da zona rural. Ele informa que mais de 40 equipes, cada qual com dois integrantes, já estão atuando desde o dia 12; ontem, houve o reforço de outras 86, à qual se somarão a cerca de 150 outras a partir da próxima segunda-feira. Parte desses eletricistas estará no Norte goiano, também muito atingido por descargas elétricas. A meta é contar com mais de 500 técnicos em operação até o final de novembro.“Somos sensíveis ao que está acontecendo no Estado”, ressalta Guilherme, antes de discorrer sobre o que tem sido feito para ampliar o contingente de trabalhadores no curto prazo: eletricistas de São Paulo e do Ceará estão vindo integrar o efetivo de Goiás; o trabalho com empresas parceiras no Estado está sendo ampliado, a exemplo da parceria com o Senai para formação técnica; oito centros de treinamento implantados. “A primeira turma, com 168 eletricistas, vai se formar em dezembro.” Outra medida da Enel é o envio de helicópteros para Rio Verde, Iporá e Morrinhos, onde o indíce de ocorrências é maior e a dispersão é grande, o que possibilitará melhor inspeção e mais rápido acesso para resolver os problemas. O diretor da Enel menciona ainda o Centro de Monitoramento de Ocorrências Prioritárias, para dar atenção imediata aos chamados cliente vitais (que têm necessidades especiais e dependem de aparelhos), serviços públicos, produtores rurais e grandes clientes. Esse centro se aperfeiçoou para identificar com rapidez onde estão esses casos e priorizar o atendimento, garante. Outra ação em que a companhia investe, continua Guilherme, é no aumento de postos de atendimentos avançados. Eram 29 no Estado, hoje há 8 adicionais em operação e serão 58 até janeiro de 2020, diz, esclarecendo tratarem-se de equipes com material para atendimento mais próximas dos clientes, ou seja, com deslocamentos mais curtos. “Em Rio Verde eram três, agora são seis e vão chegar a 14.”Queixa a BolsonaroOntem, o governador Ronaldo Caiado (DEM) voltou a criticar a Enel, acusando a empresa de provocar diversos prejuízos no Estado e não cumprir acordo assinado em agosto. Como o setor elétrico é regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ele disse ter pedido ajuda ao presidente Jair Bolsonaro. “Já esgotou todo e qualquer tipo de negociação do Estado com a Enel. Não tem mais como mantermos essa situação. Eles assinaram um documento conosco, com a presença do ministro (de Minas e Energia, Bento Albuquerque), e do presidente da Câmara (Rodrigo Maia, DEM-RJ). Todos os diretores de alto escalão da América Latina falando pela empresa e depois nada acontece. O processo agravou ainda mais do que era”, protestou. No acordo assinado no mês de agosto deste ano, a Enel se comprometeu a ampliar a capacidade da rede e distribuição de energia. Em sua conta no Twitter, Caiado postou: “A falta de energia em Goiás é generalizada! Aneel exigiu que a Enel melhorasse, mas a situação piorou. Chega! Esgotada toda e qualquer negociação com a Enel! Levei a situação a @jairbolsonaro.” Deputados estaduais também apontaram falhas na prestação, cobrança e restabelecimento de serviços.Caiado lembrou também pesquisa recente do Procon Goiás que mostra crescimento de 46% do número de reclamações contra a Enel, por diversos motivos, de janeiro a outubro deste ano em relação ao mesmo período de 2018, para diagnosticar falta de energia generalizada. “É o produtor rural, o cidadão urbano, empresas pequenas, de médio e grande porte. Todo mundo está sofrendo duramente. Todo mundo está jogando mercadoria fora.”Sobre as críticas, o diretor da Enel, Guilherme Lencastre, afirma que a companhia está cumprindo à risca todos os itens do acordo conforme previsto. Entre os investimentos, fala de duas novas subestações, em Anápolis e Mineiros, para dezembro, quando também será entregue ampliação de outra subestação em Anápolis. “São grandes obras que vão beneficiar cerca de 250 mil clientes”. Segundo ele, a rede da Celg é muito antiga e exige muito investimento. Serão, descreve, mais seis subestações no próximo ano e um total de 17 novas até 2022. “A Enel tem feito todo o necessário para atender melhor os consumidores de Goiás.”