Presente em Goiânia para pedir votos para as prévias do PSDB que definirão o candidato do partido a presidente da República, o governador de São Paulo, João Doria, ouviu críticas de lideranças sobre seus dois secretários goianos que estão de olho em aliança com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Os secretários da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy (PP), são pré-candidatos ao Senado e seus partidos articulam espaço na chapa do democrata, candidato à reeleição.

Em discurso, o presidente do PSDB goiano e ex-governador José Eliton deu uma alfinetada afirmando esperar que os dois secretários paulistas se unam ao PSDB contra o "cenário triste e sombrio" no País e que não "namorem com projetos autoritários". O PSDB goiano tem adotado a estratégia de associar Caiado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O ex-prefeito de Catalão e ex-deputado estadual Jardel Sebba pediu questão de ordem e foi mais direto e incisivo na cobrança. Disse que o posicionamento dos dois secretários de Doria deixa o PSDB goiano "constrangido" e resistente a escolher o nome dele nas prévias. "Me desculpe a ousadia, mas este é o sentimento de todo o PSDB de Goiás. Sabemos do seu potencial, do seu preparo, mas também fazemos política", afirmou Jardel.

Doria desceu do palanque para abraçar Jardel e, ao discursar, disse apenas que a fala é "perfeitamente compreensível". "Você está de parabéns por defender seu partido", afirmou, sem mais comentários a respeito.

Em entrevista exclusiva ao POPULAR, Doria disse que a escolha de Meirelles e Baldy para o secretariado não ocorreu por indicação política, mas por questões técnicas, e que não se envolve nas decisões deles sobre as eleições do ano que vem.

O ex-governador Marconi Perillo fez discurso após a fala de Jardel Sebba e não citou o assunto diretamente, mas afirmou que Doria "leva paulada e flechada de todo lado". "Mas ninguém pode questionar o valor do Doria para garantir a saúde da população brasileira. Não fosse ele, com toda a sua inteligência, proatividade e sensibilidade de buscar parcerias para fabricar vacina, teríamos estatísticas muitas vezes pior de mortes no Brasil. Só por isso já valia a pena aplaudi-lo, apoia-lo", afirmou Marconi.

Nos bastidores do evento, diversas lideranças do partido comentavam que a maioria dos filiados em Goiás deve votar no governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, nas prévias, seja pelo posicionamento de Meirelles e Baldy seja pelo que consideram um estilo "personalista" de Doria.

A votação interna no PSDB está marcada para o dia 21 de novembro. Além de Doria e Leite, são cotados para a disputa o senador Tasso Jereissati e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. 

Doria iniciou pela Região Centro-Oeste neste sábado (10) as viagens pelo País para pedir votos. Antes de Goiânia, ele esteve em Campo Grande (MS). Os demais candidatos às prévias também devem visitar o Estado, segundo a direção do diretório goiano.