Durante as buscas da fase 69 da Lava Jato, a Polícia Federal apreendeu, em endereço da Gamecorp, diferentes contratos com valores de até R$ 4,3 milhões firmados entre a Telemar Oi e a empresa ligada ao filho mais velho do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aos irmãos Fernando e Kalil Bittar e ao empresário Jonas Suassuna e a Telemar Oi. Além disso, a PF identificou cartas de notificação extrajudicial em que o grupo telefônico cobra R$ 6.818.080,40 referentes a empréstimo vencido há mais de 10 anos.

As informações constam relatório de mídia apreendida elaborado pela Polícia Federal no último dia 13.

O documento apresenta informações sobre 25 itens apreendidos durante cumprimento de mandado da Operação Mapa da Mina, a fase 69 da Lava Jato, dia 10 de dezembro. A investigação mira supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência envolvendo a Oi/Telemar e o grupo Gamecorp/Gol.

Segundo a força tarefa da Lava Jato, foram identificados créditos feitos pela Telemar/Oi em favor do grupo Gamecorp, entre 2004 e 2016, que somam R$ 132.254.701,98.

A Procuradoria aponta que parte desses recursos foi usada para compra do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo pivô da maior condenação da Lava Jato já imposta ao ex-presidente Lula, 17 anos 1 mês e 10 dias de prisão. O petista recorre em liberdade.

Os pagamentos teriam sido feitos ao grupo Gamecorp/Gol, integrado pelas empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp, Editora Gol, Gol Mídia, Gol Mobile, Goal Discos, Coskin, PJA Empreendimentos e PDI – empresas ligadas a Lulinha, que é sócio dos irmãos Fernando Bittar e Kalil Bittar e pelo empresário Jonas Suassuna.

Segundo relatório da PF, durante as buscas da Lava Jato 69, foram apreendidos contratos firmados entre empresas do grupo Telemar/Oi e a Gamecorp.

O contrato que tem o maior valor mensal é referente à prestação de serviços da Gamecorp para a RTNL PCS e prevê pagamento de R$ 450 mil por mês durante 12 meses. O documento foi assinado em abril de 2008.

O documento da PF também cita a apreensão de contratos de R$ 100 mil mensais, como o celebrado entre a TNL e a Gamecorp em 2009 com vigência de dois anos a partir da assinatura.

Um outro contrato assinado entre as mesmas empresas em 2007, com vigência entre abril e dezembro, previa o mesmo pagamento, mas segundo a PF, foi seguido de quatro termos aditivos, tendo o primeiro deles estabelecido valor adicional de R$ 800 mil, e o segundo e o terceiro incluído serviços a custo de R$ 1 milhão cada.

O quarto adicionou mais R$ 700 mil à conta que chegou a R$ 4,3 milhões.

A PF encontrou ainda contratos que vão numa direção diferente dos outros, referente a empréstimo (mútuo) fornecido pela então Telemar para a Gamecorp com a finalidade de ‘permitir à contrante o desenvolvimento de suas operações financeiras’.

Nos cinco contratos consta referência a pagamentos da Oi para a Gamecorp de R$ 550 mil, R$ 500 mil e dois de R$ 200 mil feitos entre 2006 e 2007.

Junto a tais documentos estavam duas notificações extrajudiciais, datadas de dezembro de 2018 e setembro de 2019, cobrando valores vencidos há 10 anos.

A carta mais recente, elaborada em 19 de setembro, cobra da Gamecopr R$ 6.818.080,40, referentes ao ‘valor principal acrescido de juros e encargos moratórios, além de multa de 2% do valor do débito’.

Outro documento encontrado pela PF foi um pedido endereçado ao então secretário de Direito Econômico, vinculado ao Ministério da Justiça, Daniel Krepel Goldberg sobre operação de 2005 em que a TNL adquiriu R$ 2,5 milhões em ações da Gamecorp.

COM A PALAVRA, A DEFESA
“Em primeiro lugar: a vida de Fábio Luís da Silva e as atividades de suas empresas foram devassadas por anos a fio e nenhuma irregularidade foi encontrada. Por essa razão, partiu do próprio Ministério Público Federal de São Paulo a iniciativa de pedir o arquivamento das investigações.

Essa nova safra de suspeitas e ilações vazadas sugere uma estratégia clara da força-tarefa para requentar um caso encerrado, a fim de tentar fixar artificialmente sua competência para conduzir uma nova investigação.

Há quase um mês, papéis apreendidos em endereços de sócios de Fabio Luís estão sendo vazados seletivamente, quase todos os dias. Já vimos folhas rabiscadas apresentadas com ares de “provas” e detalhes picados de conversas serem transformados em indícios. Não nos resta dúvida que esses vazamentos têm o propósito único de alimentar suspeitas e teses fantasiosas, que a imprensa, infelizmente, publica como se fatos ou verdade fossem.

No mais, como já foi demonstrado, Fábio Luís não é sócio da empresa Gol Mobile e, portanto, não tem qualquer relação com os negócios celebrados com a Prefeitura do Rio de Janeiro ou com qualquer outro cliente dessa empresa.

As autoridades têm o dever de preservar os documentos que estão sob sua guarda. Por sua vez, a imprensa tem a obrigação de conferir a veracidade das supostas informações que lhe são entregues.
É estarrecedor notar que o “modus operandi” revelado pela Vazajato para envolver a mídia e ameaçar investigados ainda esteja sendo usado com tanta naturalidade.”