Pela primeira vez desde 1992 o País terá um chefe do Executivo nacional que não pertence ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Jair Bolsonaro (PSL) está eleito como novo presidente da República Federativa do Brasil.

Exatamente às 19h16 deste domingo (28), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Bolsonaro. No momento do anúncio, 92,08% das urnas já haviam sido apuradas em todo o País e ele contabilizava 107.287.339 votos. Adversário de Bolsonaro no 2° turno, o ex-ministro do governo Lula e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) aparecia com 44,37% dos votos válidos contra 55,63% do capitão.

Em Goiás, com 99,61% das urnas apuradas, o candidato do PSL teve 65,57% (2.118.567 votos) contra 34,43% (1.112.371 votos). Em Goiânia, Bolsonaro teve 74,20% (528.525 votos) e Haddad 25,80% (183.731 votos).

É a primeira vez desde a finalização do mandato de João Figueiredo, em 1985, pondo fim à ditadura, que um militar assumirá à Presidência.

O Partido Social Liberal (PSL), em que Bolsonaro está filiado desde março, é o 8° na carreira do político. Além dele, o presidente eleito já esteve nos extintos Partido Democrata Cristão (PDC), Partido Progressista Reformador (PPR), Partido Progressista Brasileiro (PPB) e Partido da Frente Liberal (PFL), no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no Progressistas (PP) e no Partido Social Cristão (PSC).

Nas eleições deste ano, o PSL elegeu quatro senadores e viu sua bancada na Câmara dos Deputados saltar de oito para 52 parlamentares, se tornando a 2ª maior da Casa, atrás apenas do PT, que contará com 56 deputados.

Jair Bolsonaro terá como seu vice o general da reserva do Exército Antonio Hamilton Mourão (PRTB) e será empossado no dia 1° de janeiro de 2019, quando receberá do atual chefe do Executivo brasileiro, Michel Temer (MDB), a faixa presidencial.

1° TURNO

Desde o início da campanha eleitoral, em agosto, Jair Bolsonaro liderou todas as pesquisas de intenção de voto que não tiveram a presença do ex-presidente Lula (PT), preso em abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá.

No pleito do último dia 7, o pesselista obteve 49.276.990 votos, o que lhe deu 46,03% dos votos válidos, de acordo com dados oficiais do TSE. Ao todo, 147.305.825 pessoas estão aptas a votar nas eleições brasileiras. Seu adversário neste 2° turno, Fernando Haddad (PT), conseguiu pouco mais de 31 milhões de votos à época.

HISTÓRIA

Jair Messias Bolsonaro nasceu na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, em 21 de março de 1955. Teve formação militar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, na Academia Militar das Agulhas Negras e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

Capitão da reserva, ingressou na vida política em 1988 quando foi eleito vereador pela cidade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, conseguiu se eleger deputado federal, cargo que ocupou até partir para a disputa presidencial deste ano.

Durante seus mandatos na Câmara dos Deputados, envolveu-se em polêmicas com setores minoritários da sociedade, como o público LGBT e os indígenas. Em entrevistas e eventos, chegou a se posicionar contra quilombolas e favoravelmente a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

É casado com Michelle Bolsonaro desde 2013. De três relacionamentos, Bolsonaro teve cinco filhos: Eduardo, Carlos, Flávio, Renan e Laura.

ATENTADO

No último dia 6 de setembro, enquanto realizava ato de sua campanha pela Presidência na cidade de Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira. 

O atentado fez com que o então candidato ficasse 23 dias internado e perdesse diversos eventos e debates com os demais presidenciáveis. Neste período, sua campanha foi movida pelas redes sociais. Ele recebeu alta médica em 29 de setembro.

O autor do crime está preso em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e responderá pela prática de atentado pessoal decorrente de inconformismo político. Em entrevista, Bolsonaro afirmou que Adélio merecia "um cascudo" e "18 anos de cadeia".