Suspeito de cobrar propina para manter contrato de empresa prestadora de serviço com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), o diretor-administrativo da estatal, Carlos César de Toledo, conhecido como Cacai Toledo, é um dos alvos de operação da Polícia Civil de Goiás que visa apurar prática de crimes contra a administração pública, corrupção passiva e ativa, além de fraude ao procedimento licitatório e crime de lavagem de capitais. Batizada de Negociatas, a operação cumpriu ontem seis mandados de prisão temporária, um deles alcançando Cacai Toledo, além de 23 mandados de busca e apreensão nos Estados de Goiás e Mato Grosso.Os mandados de prisão e buscas foram expedidos pela juíza Placidina Pires, em processo que até o fim da tarde ontem ainda corria em sigilo. O POPULAR teve acesso à decisão judicial que resultou nos procedimentos. No documento consta que o delegado titular da Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Fábio Meireles Vieira, tomou conhecimento por meio de denúncia apócrifa que Weliton Fernandes Rodrigues, o Nenzão, ex-prefeito de Campinaçu, e o empresário Flávio Ramos estariam associados a Cacai Toledo e aos empresários Joaquim Inácio Guimarães Filho, Albert Faisher de Barros e Paulo, Ernesto Augusto Eichler e Antônio Fernando Ribeiro Pereira, possivelmente com a finalidade de praticar diversos crimes contra a administração pública.Entre possíveis delitos citados no documento, constam fraude a um procedimento licitatório realizado no ano de 2018 pela então Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e caso envolvendo integrantes desse grupo no âmbito da Codego.Ante ao que foi exposto pelo delegado, na decisão a juíza aponta que os investigados, além da suposta obtenção de vantagens econômicas de empresários para facilitar a contratação de suas empresas com órgãos públicos estatais, ainda teriam ocultado e dissimulado a origem do dinheiro resultante das práticas ilícitas (fraude a licitação e corrupção), por meio de uma complexa rede de movimentações bancárias a fim de dificultar o rastreamento do capital ilicitamente auferido. No caso da licitação de 2018 da Agetop, em que a Log Lab Inteligência Digital Ltda, empresa em que Antônio é sócio majoritário, venceu, a suspeita é que tenha ocorrido fraude por meio do ajuste de propostas, ao se considerar a proximidade entre os investigados e o proprietário de outra empresa que concorreu no certame.Em relação a Codego, trecho da decisão aponta a existência de indícios de que infrações penais envolvendo o grupo de empresários também possa ter ocorrido na contratação da Log Lab pela estatal para prestação de serviços na área de tecnologia da informação, em contrato celebrado em 2017 e prorrogado em 2018. SuspeitasAs suspeitas, segundo apontado no documento, surgem porque um dos investigados, Flávio Ramos, nos anos de 2017 a 2019, teria sido flagrado no registro de controle de entrada da Codego por diversas vezes. Nessas ocasiões, segundo o relato, ele teria identificado como integrante da Log Lab e supostamente teria visitado diversos departamentos, o que teria garantido seu contato com dirigentes da companhia, como Cacai Toledo. Além disso, consta na decisão o envolvimento de Nenzão, Flávio e Cacai na cobrança de propina de um proprietário de empresa de segurança contratada pela Codego. A cobrança de valores indevidos teria sido feita ao empresário para garantir a manutenção do referido contrato.Segundo relatado, a empresa de segurança teria sido contratada em 2018 para prestar serviços de vigilância, mas em 2019 teria sido informada por Cacai que o valor do contrato seria reduzido. No documento consta, a partir da fala do delegado, que o dono dessa empresa teria então procurado Nenzão, que disse que a situação poderia ser resolvida por meio do pagamento de R$ 20 mil.O empresário que teria sido alvo desse pedido de propina teria afirmado que não aceitou a pagar a quantia solicitada e teve o valor do contrato reduzido. Na decisão é apontada a possibilidade o grupo ter cobrado “(ou cobrar até hoje) propina de outros empresários que possuem contratos com a Codego”. A Codego passou por mudanças na presidência recentemente após O POPULAR mostrar suspeitas de favorecimento pela entidade em contrato firmado com o empresário Matheus Henrique Aprígio Ramos, filho de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para construção de um shopping no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). Na ocasião do contrato a estatal estava sob gestão de Marcos Cabral, que saiu e foi nomeado assessor especial da Governadoria. O atual presidente é Hugo Goldfeld.RespostaPor nota, a Codego informou que colabora com a Polícia Civil que, por meio da Draco, realizou operação nas dependências da Diretoria Administrativa da companhia. Disse ainda que a Codego “reafirma seu compromisso com a transparência e aguardará a conclusão das investigações.”A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos investigados. Por meio da juíza Placidina, foi informada que a defesa de Antônio Pereira Ribeiro, solicitou a manutenção do investigado em Mato Grosso. O pedido foi indeferido no início da noite e, desta forma, ele será ouvido aqui. Cacai também é presidente do diretório do DEM em Anápolis. A reportagem tentou, via assessoria, ouvir o governador Ronaldo Caiado, que preside o diretório estadual da sigla, sobre a situação do diretor-administrativo da Codego a frente do partido, mas não teve retorno até o fechamento. (Colaborou Elisama Ximenes)-Imagem (Image_1.2086319)