Com a escalada da pandemia do coronavírus, que atingiu nesta semana recorde de mortes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a planejar a gravação de um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão.

Na manhã de ontem, o presidente convocou integrantes da equipe para uma reunião. O objetivo, segundo assessores presidenciais, foi avaliar estratégias de reação à piora da pandemia. O receio de integrantes do governo é o de que a média diária de mortes aumente nas próximas semanas.

O encontro também serviu para discutir dados e números que possam ser utilizados pelo presidente em um discurso em rede nacional, que ele avalia gravar no final de semana. Nesta semana, Bolsonaro já cogitou duas vezes gravar discursos à nação, mas desistiu em ambas.

Embate

Nos dois episódios, o presidente foi convencido de que não era hora de fazer um embate com prefeitos e governadores, que adotaram medidas de restrição para tentar diminuir o número de internações pela doença.

O aumento das críticas em relação à postura do presidente, no entanto, pressionou o Palácio do Planalto a reagir com um discurso público. Segundo assessores presidenciais, uma estrutura de gravação foi montada durante a manhã no Alvorada. A ideia inicial era a de que ele gravasse ontem de manhã, para ser exibido à noite em cadeia nacional.

Após a reunião, no entanto, Bolsonaro foi convencido a deixar a gravação para o final de semana. Para evitar panelaços e buzinaços, assessores palacianos têm defendido que o discurso seja exibido apenas no final de semana e nas redes sociais, evitando televisão e rádio.

A linha defendida no Planalto é que o presidente destaque na gravação a decisão de comprar doses das vacinas da Pfizer e da Janssen e a aprovação de medida provisória que facilita a compra de imunizantes.

‘Por infelicidade, não deixou claro’, diz Guedes 

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou ontem que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), “por infelicidade”, não deixou claro o problema da saúde e da vacinação. Segundo o ministro, o mandatário acredita que saúde e economia andam juntos.

Guedes concedeu entrevista no início da noite, ao lado do deputado Daniel Freitas (PSL-SC), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que destrava nova rodada do auxílio a informais e cria gatilhos de ajuste fiscal para o futuro.

“Nós não podemos deixar a economia se desorganizar, é muito importante isso. Essa mensagem que o tempo inteiro o presidente tem tentado passar também que, talvez, por infelicidade, não deixou claro o problema da saúde, da vacinação em massa, mas a agonia dele com a economia é a seguinte: se você der o auxílio, chegar lá, a prateleira estiver vazia, todo mundo com dinheiro na mão, a inflação, falta de alimentos Então temos que manter os sinais vitais da economia funcionando, como fizemos no passado”, afirmou.

Bolsonaro vem criticando publicamente medidas de isolamento social e restrições ao funcionamento do comércio nas cidades. “Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi”, disse o presidente na quinta (4).