O procurador Hélio Telho, que comandou a Operação Cash Delivery, diz não ser possível contar com recursos do bloqueio de bens do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) para pagar a folha salarial atrasada, como espera o governador Ronaldo Caiado (DEM). "É preciso observar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Há um longo caminho jurídico a ser percorrido até que a Justiça decida o destino desse patrimônio. O processo penal, no Brasil, é burocrático e demorado. Portanto, não é possível contar com esses recursos para pagar a folha salarial atrasada", afirmou o procurador, que fez o pedido de arresto de bens no valor de R$ 22 milhões de Marconi, do ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) Jayme Rincón e de outras sete pessoas.

Também não há sequer a garantia de que o recurso ficaria com o Estado, caso haja condenação criminal e a sentença determine a perda do equivalente em propina recebida. Parte dos recursos poderia ficar com a União: primeiro porque, segundo as investigações, houve repasses da Odebrecht quando Marconi Perillo era senador; em segundo lugar porque a empresa tinha interesses em obras que contavam com recursos federais e estaduais. Caberia ao juiz decidir qual dessas esferas de governo foi a vítima.

Acesse o Blog Fabiana Pulcineli