Depois de articular uma virada na eleição da Mesa Diretora e desbancar o candidato do governador Ronaldo Caiado (DEM), Álvaro Guimarães (DEM), o deputado estadual Lissauer Vieira (PSB) confirmou o favoritismo e foi eleito nesta sexta-feira o novo presidente da Assembleia Legislativa. Escolhido por 37 deputados em sessão aberta após a cerimônia oficial de posse da nova legislatura, ele comandará a Casa pelos próximos dois anos.

Além dele, completam a Mesa, na 1ª e 2ª vice-presidências, respectivamente, Dr. Antonio (DEM) e Rafael Gouveia (DC); e, nas quatro secretarias, Cláudio Meirelles (PTC), Júlio Pina (PRTB), Gustavo Sebba (PSDB) e Iso Moreira (DEM).

Os quatro votos que Lissauer não obteve foram os da chapa encabeçada pelo deputado estreante Humberto Teófilo (PSL). Conforme havia prometido na quinta-feira (31), ele registrou sua candidatura avulsa e conseguiu o apoio de outros três novatos: Paulo Trabalho (PSL) colocou seu nome para a 1ª vice-presidência, Amauri Ribeiro (PRP), para a 2ª vice, e Chico KGL (DEM), para a primeira secretaria. Os outros postos ficaram vagos.

O grupo, aliás, protagonizou os maiores momentos de tensão da sessão, interrompida diversas vezes por pedidos de questão de ordem. Isto porque, no início da eleição, Humberto Teófilo conseguiu cinco minutos na tribuna para apresentar suas propostas e, assim, o restante da chapa queria o mesmo tempo para se pronunciar.

Mesmo sem as questões de ordem, vários deputados aproveitaram sua vez de votar para se manifestar. Nestas oportunidades, houve espaço para acusações mútuas de subserviência ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB), cobranças por renúncia a benefícios e auxílios e questionamentos quanto às negociações pelo apoio à chapa vencedora. Em um dos momentos mais tensos, Paulo Trabalho (PSL) acusou deputados de se elegeram “graças a Caiado” e, depois, votarem em Lissauer - o que gerou reação imediata.

Apesar da derrota, Humberto Teófilo disse que pretende continuar cobrando que a Casa “abrace suas bandeiras”, citando maior transparência, cortes de comissionados e em diretorias e a revisão de contratos.

Eleito

Ao POPULAR, o novo presidente reforçou a defesa pela “independência do Legislativo” e disse que a postura não significa embate, mas sim “colaboração” entre os poderes, especialmente pela presença de parlamentares caiadistas entre os que o apoiaram. “A independência é um sentimento dos deputados, agora o governo vai ter toda a liberdade para fazer a base dele e não vamos trabalhar para atrapalhar o Estado de Goiás. Vamos trabalhar na parceria, na colaboração entre os poderes. A independência é os poderes respeitarem seus limites”, ressaltou.

Questionado se as farpas trocadas entre deputados já na primeira sessão deram o clima do que deve ser esta nova legislatura, Lissauer adotou tom conciliador e garantiu que vai atuar para garantir espaço a todos eles: “Os deputados vão ter toda a liberdade de falar, expressar suas demandas, fazer seu trabalho dentro do regimento. É uma Casa de diálogo e vamos trabalhar dando liberdade para eles desempenharem seu papel.”