Por Saulo Marques Mesquita

Ser feliz é bom. Por mais singela que seja, essa afirmação ilustra algo que nos é visceral, algo que faz parte de nossa natureza humana. Todos os nossos sonhos, projetos e realizações, ainda que de forma imperceptível, têm sua gênese no desejo de buscar momentos de alegria. Mesmo que isso não esteja passando pela nossa cabeça, é a vontade de ser felizes que nos leva a fazer planos para o amanhã. Os sonhos de nossas vidas pautam nossa dedicação aos estudos, ao trabalho e à família, conduzindo-nos ao desejo de encontrar satisfação em algum momento de nossa efêmera existência. E isso torna a felicidade algo que nos é caro, pois, muitas vezes, ela é um troféu que se conquista a duras penas.

Tendo em conta essa natureza inata do propósito de ser feliz, cabe-nos questionar em que nível se encontra esse sentimento no território tupiniquim. O brasileiro sempre foi conhecido pela amabilidade, pelo sorriso indelével, pela alegria cativante. Por mais que tal visão seja um tanto estereotipada, a associação do povo que habita estas latitudes com a alegria de viver é algo que não nos causa estranheza. Porém, será que somos realmente felizes? Diante de tantos problemas, de tanta desigualdade, de tantas injustiças, temos razões para dizer que a felicidade é um sentimento comum entre nós? Como falar em felicidade em meio à pandemia que tem ceifado preciosas vidas, não nos permitindo sequer a despedida daqueles a quem amamos? Como nos sentirmos felizes diante da necessidade de medidas de restrição que há alguns anos seriam inimagináveis? Como buscar a felicidade diante da grave crise econômica que nos cerca, impelindo milhões de brasileiros para o limiar da miséria?

A rede de soluções para o desenvolvimento sustentável, uma iniciativa global da Organização das Nações Unidas, recentemente publicou o Relatório da Felicidade no Mundo, com foco no modo como a pandemia tem influenciado o estado de espírito das pessoas. A pesquisa foi realizada em 149 países, com perguntas a respeito de como as pessoas se sentem, do quão satisfeitas se encontram com suas vidas. Não sem razão, os países mais felizes do mundo, Finlândia, Islândia e Dinamarca, estão entre aqueles com alto índice de desenvolvimento humano. O Brasil, de outro lado, caiu da 29ª para a 41ª colocação. Podemos concluir, assim, que não estamos lá tão felizes, o que coloca em xeque a famigerada alegria nata de nosso povo.

Se ser feliz é uma necessidade do ser humano, resta evidente que precisamos fazer algo para mudar essa situação. Evidentemente, há variáveis que não dependem apenas de nossa vontade. Enquanto a velocidade da vacinação permanecer lenta e o vírus continuar se propagando, estaremos longe de superar a pandemia e todos os dissabores que ela proporciona. Precisamos da atuação concertada de nossos governantes e, também, da contribuição consciente da população, de modo que possamos sonhar com uma posição melhor no benfazejo ranking da felicidade. Afinal, todos nós queremos ser felizes.