Os efeitos da Covid-19 ainda estão provocando um estrago na economia brasileira, com preocupação sobre seu crescimento para 2021. Se não acelerarmos o processo de vacinação em massa da população brasileira e a sociedade não contribuir com distanciamento social, uso de máscaras e fim de aglomerações, caminharemos para um crescimento ridículo das atividades produtivas.

A área da saúde do governo federal tem que parar de dar trombadas com os governos estaduais e municipais e afinar a viola para uma programação mais rápida de compra de medicamentos como Coronavac, Oxford, Sputnik ou qualquer outra marca de vacina, acelerar a produção bruta de matérias-primas para produção local e vacinar a população o quanto antes. Chega de blá-blá-blá, de ti-ti-ti, de negação da eficácia da vacina. Isso não contribui em nada para uma sociedade que está à flor da pele, com medo de morrer de Covid.

A pior coisa do mundo é insegurança, angústia, medo de perder a vida, o emprego, a empresa que foi criada a duras penas com anos de lutas e sacrifícios. Manter a saúde financeira de um empreendimento profundamente afetado pela pandemia não está fácil. A luz amarela da saúde mental acendeu com muitas pessoas pirando, recorrendo a atendimento psicológico. Precisamos investir em programas de bem-estar e em recursos humanos, humanizar as relações de trabalho.

Uma das lições da Covid é que sem financiamento público não dá para produzir vacinas. De acordo com a publicação “Perspectivas para Ciência, Tecnologia e Inovação para 2021: tempos de crise e oportunidade”, da OCDE, os governos financiaram 72% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de vacinas para combater a Covid no mundo em 2020. Isso mostra que precisamos de coalizões entre setores públicos e privados para enfrentar epidemias que poderão vir, montarmos um sistema de inovação na saúde no Brasil e não com cortes na saúde, como está previsto no Orçamento da União de 2021.

Hoje temos 212 milhões de brasileiros que precisam vacinar. Não temos ainda vacinas para imunizar a população. Começamos com 350 mil vacinados por dia, pulamos para 700 mil, mas precisamos chegar a 1,5 milhão por dia, principalmente com essa nova variante, P1, que é mais mortal ainda.

No aspecto econômico, se vacinarmos toda a população até outubro, o Brasil pode crescer ainda próximo de 3% este ano. Se a vacinação atrasar e a população for vacinada até dezembro, aí podemos pensar num crescimento próximo de 2% ou menos. A reativação da economia dependerá da velocidade de aplicação da vacina e os cuidados do brasileiro após a vacinação para não propagar mais vírus. Investir na vacinação mais rápida e se precaver para não contaminar é o único caminho para o país voltar a respirar economicamente, absorver 14,3 milhões de desempregados e os 5,9 milhões de desalentados que desistiram de procurar emprego.