O termo democracia tem sua origem nos termos gregos demos (povo) e kratos (poder). Desde a Grécia clássica a democracia tem o significado de poder do povo, poder popular, governo do povo. Em Atenas, na Grécia, era uma democracia direta, onde a população participava diretamente das tomadas de decisões. A democracia moderna surgiu a partir do século XVIII, com as revoluções burguesas que derrubaram as monarquias absolutistas e instituíram a democracia representativa, em que a população delega mandato para pessoas atuarem em seu nome. Com a democracia as pessoas deixaram sua condição de súdito para se transformar em cidadãos, sujeitos de direitos civis e políticos.

O princípio básico do funcionamento da democracia moderna é o direito dos cidadãos de participarem dos assuntos de interesse coletivo por meio do voto, com a escolha de representantes que passam a dispor de poderes que lhes são delegados para cuidar dos assuntos políticos de interesses comuns.

São características da democracia: igualdade perante a lei (isonomia); igualdade de acesso aos cargos públicos (isocracia); igualdade para falar, votar e ser votado (isegoria) para representar o povo no parlamento ou no executivo; predomínio da lei escrita, entendida como bem comum, regra geral, suscetível de ser aplicada a todos da mesma maneira; a soberania é popular, pertence ao povo e não ao governante. É por isso que a democracia, segundo Marilena Chaui, não é apenas um regime formal da lei e da ordem. O que diferencia a democracia de outros regimes políticos é que com ela direitos são criados e consolidados; o conflito é considerado legítimo e necessário; e, segundo Jean_Pierre Vernant, nela há o predomínio da palavra, do debate, da argumentação.

A democracia é processo de humanização da sociedade, processo civilizatório em que as leis e a ética regulam o convívio entre as pessoas e entre governante e governados. Entretanto, a democracia pode se transformar no seu próprio coveiro. Se o povo eleger governante autoritário, tirânico, que incentiva a violência, o preconceito, o desprezo pelos direitos dos trabalhadores, o menosprezo pela mulher e pelas regras democráticas, estará elegendo governante que poderá colocar em risco a própria democracia e instituir a barbárie, as práticas desumanas e autoritárias – a violência, o preconceito, a fome e a miséria –, já que a barbárie não é só a violência física, mas também a ausência das mínimas condições de sobrevivência da pessoa.