"As agências não têm valorizado como deveriam a parceria com os veículos”

O mercado deve ter em mente a lógica da vitrola e do vinil, criadores de duas indústrias que mudaram a história, assim como os veículos e as agências.

Para quem nunca teve contato com a vitrola ou já se esqueceu de sua existência, vale lembrar que a combinação dela com o vinil criou duas indústrias de amplo espectro e, literalmente, mudou o mundo, democratizando e multiplicando o consumo da música.

A partir da invenção do disco de vinil por Emile Berliner, em 1896, a victrola foi a evolução do fonógrafo de Thomas Edison e do seu sucessor, o gramofone de Alexander Graham Bell, tendo sido registrada em 1905 pela Victor Talking Machine Co, empresa que mais tarde foi adquirida pela RCA e uniu os esforços de fabricação do aparelho e da edição de discos.

Criava-se assim a dupla que iria gerar lógica mútua para alterar para sempre a história da música e compor uma verdadeira simbiose entre suporte tecnológico e conteúdo, na qual a existência e evolução de um gera as condições para o incremento do outro, inaugurando uma “fórmula” que seria repetida em diversos setores, com expressivos resultados.

Essa lógica também foi aplicada no mercado publicitário, no qual os veículos entraram com conteúdo editorial e de entretenimento que atraia a audiência dos consumidores e as agências contribuíram com mensagens publicitárias superiores, que incrementava os resultados dos anunciantes e os motivava a manter e aumentar seus investimentos, gerando recursos para os veículos melhorarem sua qualidade e atratividade, dando sequência a um ciclo virtuoso que marcou o século 20 com a vigorosa expansão do mercado de consumo.

As dificuldades que se abateram sobre os veículos e a publicidade com o advento da mídia digital, porém, levou à pior das reações de ambos, que com raras exceções, particularmente em relação à TV e à propaganda televisiva, enfrentaram as dificuldades quebrando o suporte mútuo e tentando gerar suas receitas publicitárias de forma independente, sem a produtiva contribuição da outra parte.

As agências não têm valorizado como deveriam a parceria com os veículos, em parte embarcando em fórmulas menos eficazes como o conteúdo de marca, as mídias sociais, o viral e os influenciadores - minimizando a associação virtuosa que não apenas gerou riquezas e prestígio para elas como, mais importante, resultados superiores para as marcas que atendem.