"As desigualdades acabam gerando abismo entre a população favorecida e a carente”

Todas as sociedades civilizadas, em regra, almejam o bem estar coletivo de seus cidadãos, que deve ser atingido, através da adoção de políticas, por parte dos Estados, visando a satisfação das necessidades da população interessada. No entanto, a realidade é totalmente inversa, vez que os Estados se omitem, adotando a máxima “deixai fazer, deixai passar, o mundo caminha por si só”. Essa nova realidade pode ser percebida à medida da falência de tais Estados, que não mais conseguem prover os direitos de seus cidadãos, em sua totalidade.

Nesse sentido, as desigualdades sociais, econômicas e políticas acabam gerando abismo entre a população favorecida e a carente. Não obstante a Constituição Federal de 1988 tenha adotado o princípio de “que todos são iguais perante a lei”, a realidade posta tem se mostrado ao contrário, vez que o Estado não assume seu papel, mostrando-se inapto a garantir direitos básicos da população.

Assim sendo, surge o Terceiro Setor ou “Third Sector”, como um contrapeso na nova realidade sócio-política, econômica e mundial, assumindo questões sociais, relegando ao Estado apenas tarefas mais complexas, como segurança interna e externa do País.

O Terceiro Setor é assim denominado em razão de ser composto por instituições com fins públicos, porém, de caráter privado, que começam a colaborar com o Estado através das inúmeras instituições que o compõem. Tais instituições não se enquadram no Primeiro Setor (Estado), nem no Segundo Setor (Mercado), mas sim, no espaço público não estatal.

A maioria destas instituições do Terceiro Setor são denominadas de “organizações não-governamentais”, as ONG’s, surgidas a partir das Nações Unidas, com o objetivo de contribuir para a erradicação das condições de vida desiguais e injustas no mundo, sobretudo, nos países subdesenvolvidos. Essas organizações concentram-se em áreas especiais de trabalho, dirigidas a pessoas e grupos dentre os mais necessitados e marginalizados da sociedade.

O Terceiro Setor abrange ações públicas que saem da esfera estatal e passam a ser encampadas por organizações da sociedade civil, que se organizam em instituições com grande potencial de representatividade, passando a serem vistas como legítimas representantes da sociedade civil.

Nessa esteira, a iniciativa privada passa a ter fim público, assumindo papel de extrema importância no que tange à garantia da dignidade da pessoa humana, na medida em que combate grandes problemas da atualidade, como a pobreza, a violência, a poluição, o analfabetismo, o racismo, etc.