Em meio ao aturdimento com casos de ataques - planejados e consumados - a escolas no Brasil, impõe-se a necessidade de reflexão sobre as pretensões dos atiradores. Na ausência de um propósito político uniforme, fica um perfil padrão: são todos jovens do sexo masculino, brancos, com algum tipo de desadequação no ambiente escolar, que recorrem a delírios étnicos, de gênero e até metafísicos para justificar os atos extremos e covardes que cometem.

Foi movido por essa lucidez que o Ministério Público e a Polícia Civil de Goiás chegaram ao jovem que confessou articular um ataque ao Colégio Estadual Jerônimo Pereira Maia, em Pontalina. Trata-se de uma investigação que, segundo o delegado Patrick Carniel, exigiu sensibilidade para diferenciar exibicionismo juvenil das reais intenções de ataque - o que acabou se confirmando diante da arma de fogo, desenhos, coturnos, arco e flechas, uma capa preta e uma máscara encontradas na casa do rapaz de 17 anos.

Ao levar em consideração as denúncias do MP, lançando mão das técnicas investigativas, a Polícia Civil vasculhou redes sociais, entrevistou amigos e professores e impediu um massacre de proporções incalculáveis.

A sociedade agradece.