A virulência dirigida por setores da sociedade a professores, como parte do embate ideológico ora posto no Brasil, pode fazer supor que esse é um fenômeno recente. Mas, com graus variáveis de violência, o pouco caso com a categoria vem de longa data e isso se reflete na remuneração. Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, conhecida pela sigla em inglês OCDE, comparou os salários de professores nos 38 países membros e outros 8 convidados, como o Brasil. Aqui, os professores recebem a metade na comparação com os países ricos.

Ainda que pesem questões orçamentárias pontuais, é preciso calcular os efeitos de longo prazo dessa alternativa de gestão dos recursos. Especialistas indicam que, sem elevar os salários, o país terá dificuldades de atrair bons estudantes para a carreira docente.

Neste ano, esse piso para professores da educação básica foi estipulado em R$ 2.886,24. Apesar disso, oito estados do país não cumpriam a exigência em abril passado, segundo a Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação. Trata-se de problema de resolução complexa, porém de fácil compreensão. Sem se debruçar sobre essa equação, a educação brasileira seguirá estática em baixo patamar.