Em decisão divulgada ontem, a Justiça de Goiás acolheu parte das indicações do Ministério Público, como forma de assegurar as operações do sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia. A sentença concede prazo de 10 dias para a apresentação de um estudo indicando o tamanho do aporte do Estado e das prefeituras para a manutenção dos serviços. Como antes da pandemia, fica clara a necessidade de se discutir o financiamento de um serviço essencial para a qualidade de vida e a mobilidade nas grandes cidades.

O equilíbrio financeiro diante das circunstâncias se faz necessário também pelo risco que a queda da qualidade oferece aos usuários. Os ônibus oferecem alto risco de transmissão, por serem fechados, com pouca ventilação e lotados a ponto de impedir um distanciamento mínimo de um metro entre uma pessoa e outra. Motoristas de ônibus, segundo epidemiologistas, têm 70% mais chances de pegar a doença do que outros profissionais.

Embora haja urgência de soluções para a situação momentânea, é vital que nos debrucemos sobre essa discussão mais profunda do transporte coletivo. Porque a pandemia vai passar, mas ficará em aberta a questão dos recursos para financiamento, o que incide sobre a qualidade.