A pandemia trouxe desafios que todos, inclusive os mais experimentados cientistas, precisaram responder enquanto aprendiam.

Nesse processo de construção coletiva do conhecimento, quando o saber incipiente circula mais velozmente e já com aspecto de verdade consolidada, as metáforas se impõem como ferramenta para compreensão do novo.

Quando, no início deste fatídico 2020, o novo coronavírus se espalhou, aturdindo as autoridades de saúde mundo afora, o chamamento à responsabilidade veio nessa figura de linguagem: “o avião estragou em pleno voo e estamos buscando conserto com ele ainda no ar”. A despeito da força dessa simbologia, os passageiros dessa aeronave em pane se comportaram de maneira diferente, seja por negação da gravidade, seja pelo tédio do enfrentamento.

Como o avião avariado ainda não aterrissou, é fundamental inventariar o conhecimento acumulado até aqui e o sucesso na aplicação prática deste.

É esse o propósito da reportagem principal dessa edição. Ao consolidar as medidas tomadas por Goiás em quatro meses de batalha contra o Sars CoV-2, é possível avaliar erros e acertos para, se nos permitem a metáfora, obter um pouso seguro.