Cabem teorizações a respeito da descrença generalizada da sociedade na capacidade de o poder público dar respostas à altura dos desafios impostos pela realidade. A questão é que o vácuo deixado pela omissão do Estado nem sempre é ocupado à luz

da inventividade das pessoas. Pelo contrário, surge um terreno fértil para expressões de corrosão do esqueleto social, seja na adoção de posturas individuais em detrimento do benefício coletivo, seja na pura e simples delinquência.

A vacinação contra a Covid-19, lançada sob o signo da escassez, tem sido pródiga na adoção de soluções mesquinhas, desprovidas do senso de bem comum. Tanto que, diante da lentidão do poder público na aquisição dos insumos, aliada à debilidade moral daqueles que furam a fila deixando para trás os grupos verdadeiramente prioritários, a iniciativa privada já tenta se movimentar na urgência que a situação exige.

A proposta de aquisição de vacinas por grandes grupos empresariais só vai prosperar se todos os interesses forem observados. A essa altura da pandemia, todos que se dispuseram a enxergar a situação sem antolhos ideológicos já sabem da impossibilidade de sair dessa isoladamente. Mais do que nunca precisamos daquilo que nos falta, que é o sentido de uma verdadeira sociedade.