Num artigo assinado para o jornal O Estado de S.Paulo, o historiador pop Leandro Karnal observou que a pandemia acentuou a desigualdade do Brasil, por si só umas das maiores do mundo. Enquanto a classe média se deprime num tédio crescente, diz Karnal, os pobres lidam com algo muito mais concreto, que é a fome e a privação.

Como a voz das classes menos privilegiadas tende a ser abafada no debate público, não se ouve tanta pressão pela agilidade e mais inclusão no auxílio emergencial do governo federal.

Os problemas na concessão do benefício se sucedem. Contudo, não é justo dizer que a pressão pela retomada de bares, restaurantes e academias seja um esforço para meramente reduzir o tédio de parte da população confinada.

Esses setores são extremamente relevantes no mercado de trabalho, gerando milhares de empregos. Porém, em que pese essa relevância social e (por que não?) mental, é preciso avançar de forma segura, para evitar focos de contágio e consequentes recuos.

Na Coreia do Sul, um dos países bem-sucedidos no controle da doença, mais de 100 pessoas foram contaminadas com a retomada de aulas de dança na cidade de Cheonan. Isso só reforça a importância de se basear na ciência para que a estratégia de retorno não peque sanitariamente.