O pronunciamento de terça-feira do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia nacional de TV e rádio, reafirmado na manhã de ontem na já consagrada entrevista de saída do Palácio da Alvorada, estabelece no País mais uma polarização. De um lado, os defensores da saúde, partidários do isolamento social proposto por prefeitos e governadores, com amparo da ciência, para estancar a propagação do coronavírus. Mas o isolamento trava a economia, o que cria uma corrente em contrário.

Bolsonaro se pôs como timoneiro dessa corrente. Na terça-feira, criticou o isolamento, culpando imprensa, prefeito e governadores. Lembrou ainda da situação de 38 milhões de autônomos, que enfrentam declínio na qualidade de vida diante da paralisa geral.

É óbvio que o impacto econômico do isolamento se mostra colossal.
Mas cientistas de todo o planeta, a Organização Mundial de Saúde e o próprio Ministério da Saúde são unânimes na recomendação: ficar em casa, resguardados.

Certamente, essa mesma ciência, a partir de diferentes realidades e estágios da pandemia, deve sinalizar o momento de afrouxamento das regras sanitárias.
Embora ambições eleitorais mesquinhas façam parecer, um
olhar não anula o outro.