Reportagem nesta edição traz informações sobre a conclusão do inquérito que apurou responsabilidades pela rebelião ocorrida há um ano e sete meses no sistema semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, com nove mortes. O encerramento da investigação chega quase ao mesmo tempo que as notícias sobre o massacre no presídio de Altamira, no Pará, onde morreram 58 detentos em uma briga de facções. Ambos os acontecimentos revelam uma escalada da violência nos presídios, que se transformam em palco de barbáries, lugar onde o crime se reproduz e assedia novos adeptos. O clima de tensão permanente está longe do ambiente de reintegração que deveria predominar no local. O sistema prisional foi concebido para punir, provocar a reflexão, reeducar, oferecer oportunidade de trabalho, de arrependimento e recuperação. Caso contrário, o Estado estará alimentando escolas do crime, redutos explosivos de violência de consequências imprevisíveis dentro e fora dos muros. O desafio de restabelecer o controle dos centros prisionais e retomar sua função original é gigante, mas absolutamente necessário. Para enfrentar um caminho tortuoso e longo é preciso começar. As evidências mostram que não é possível esperar mais.