A degradação do debate público no País reduziu a crise sanitária do coronavírus, cujo enfrentamento deveria reunir esforços num só sentido, a mais um elemento da polarização ideológica alimentada para fins meramente eleitorais. Seria infantil, não fosse fatal.

Enquanto visões paranoicas insistem em negar a gravidade da situação, aludindo a incapacidade de se conciliar a preservação de vidas e negócios, os mortos se contam aos milhares. Ontem, em Manaus, os hospitais se transformaram em câmaras de asfixia, porque faltou oxigênio. Em julho, quando da queda de óbitos no Estado do Norte, houve quem, por razões políticas, chegasse a diagnosticar imunidade de rebanho.

É só um exemplo da completa falta de compromisso factual de pessoas com voz no cenário nacional.

Nesse ambiente de deslealdade, onde voto na urna em 2022 vale mais que uma vida hoje, convém ouvir o depoimento do médico pneumologista Marcelo Rabahi, que acompanhou o tratamento do sogro, Maguito Vilela. “Infelizmente vai continuar acontecendo, se continuarmos achando que essa pandemia não existe. Estamos numa guerra e as pessoas precisam entender isso”.