Goiânia nasceu sob influência do urbanismo europeu em voga na década de 20 do passado, ou seja, uma profusão de jardins se encarregaria de estimular o convívio no espaço público onde hoje estão o Centro, a Vila Nova e o Setor Sul. Porém os méritos da teoria se deterioraram na prática. As praças internas desses bairros se tornaram ociosas e, abandonadas, viraram usina de promessas de reurbanização.

A mais notável dessas iniciativas foi o Projeto Cura, deflagrado na década de 70, abandonado sem conclusão no início dos anos 80. Outras iniciativas isoladas vieram, sem força, contudo, para transformar a realidade. Agora, segundo reportagem dessa edição, o presidente da Câmara, Romário Policarpo, encaminha emenda ao Plano Diretor admitindo a possibilidade de compras desses jardins, ampliando o lote dos moradores vizinhos.

Trata-se de uma ideia que vai no sentido contrário à tendência de reocupação do espaço público nas grandes cidades.

O texto de Policarpo tem o mérito de encarar uma realidade incômoda, que se degrada diante da inércia da sociedade.

Contudo, é preciso debater e esgotar as alternativas antes de contrariar o poeta
Castro Alves, para quem a praça é do povo.