Reportagem nessa edição dá a dimensão do caráter dramático e universal da crise sanitária que estamos vivendo. Na sexta-feira última, o conselho das secretarias municipais de saúde se reuniu para um debate tão doloroso quanto necessário. 

A pauta consiste na definição de critérios para dizer quem, diante de um colapso, terá prioridade no uso do recursos hospitalares cada vez mais escassos. Grosso modo, o que os gestores públicos estão propondo é uma compreensão uniforme que auxilie os profissionais de saúde a definir quem vive e quem morre, sob cuidados paliativos.

Trata-se de uma situação que não foi definida da noite para o dia. Foram meses de uma negligência eivada ora de interesses eleitorais, ora de menosprezo da situação, como se o enfrentamento da crise fosse questão de mera coragem ou excesso de afetação de setores mais privilegiados da sociedade. O resultado, na palavra do médico Drauzio Varella, em artigo na Folha de S.Paulo, é que “só podemos contar com  nós mesmos”.

Certamente, a articulação do poder público, como felizmente se viu no decreto recente da prefeitura de Goiânia alinhado com o do Estado, ajuda muito. 

Mas a postura individual se mostra cada vez mais determinante.