O cruzamento do número de mortes com a perda de renda pelas famílias, expresso em reportagem especial nessa edição, expõe de alguma forma o antagonismo falsamente construído entre saúde pública e preservação econômica. Isso porque sete em cada 10 mortos pela Covid-19 em Goiás tinham mais de 60 anos, faixa etária que contribui com mais da metade da renda de 20% das lares. Vale dizer que cada morte empobrece as famílias também do ponto de vista econômico.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a renda domiciliar per capita nos domicílios em que idosos respondem por mais da metade do orçamento é de R$ 1.621,80. O trabalho estima que, se os idosos que são os principais mantenedores da família morressem, o indicador cairia para R$ 425,54.

O estudo abarca todo o território nacional, mas o contexto goiano, segundo o Ipea, não difere de forma substancial. Diante dessa realidade, é fundamental que a flexibilização venha com os cuidados até aqui propostos nos decretos municipais e observados pelo mercado, sob pena de ampliarmos as perdas em todos os sentidos.