Dentre tanto sofrimento e privações, a pandemia também acirrou o clima belicoso entre os entes da federação, caracterizado pela batalha judicial travada no Supremo Tribunal Federal sobre a autonomia de Estados e municípios no combate ao coronavírus. Na esteira dessa disputa, que tem desgraçadamente como pano de fundo a eleição presidencial de 2022, criou-se um ambiente para toda a sorte de omissões e excessos.

De um lado, autoridades federais se esquivam de responsabilidades, quando não estimulam esforços em contrário ao enfrentamento coordenado da crise de saúde pública. De outro, governadores e prefeitos diante de uma realidade oscilante, para a qual a ciência ainda não tem todas as respostas. Aturdidos, acabam submetidos a pressões de setores da sociedade, que, embora legítimas, não necessariamente se alinham às melhores estratégias sanitárias.

Decisões como a da Prefeitura de Terezópolis de Goiás, que dispensou o uso de máscaras ao ar livre porque está há 10 dias sem novos casos, refletem a desarticulação de forças. Se algo ficou claro nesses meses todos foi a impossibilidade de sair dessa isoladamente. É importante que todos andemos para o mesmo lado, sob risco de retardar o fim do pesadelo.