Em meados de março, abril e maio do ano passado, era até compreensível o uso da hidroxicloroquina no comvate à Covid-19. Com a pandemia galopando, médicos se viam no breu ao lidar com uma doença sobre a qual não havia experiência pregressa. A partir de junho e julho, porém, começaram a ser publicados estudos mais robustos a respeito do tema.

Um dos mais importante deles foi levado a cabo no Reino Unido. Numa análise de mais de 4,5 mil pacientes hospitalizados, o uso de hidroxicloroquina e azitromicina não trouxe benefício algum. O mesmo resultado foi observado na pesquisa da Coalizão Covid-19 Brasil, com cerca de 500 voluntários brasileiros com a infecção pelo coronavírus em estágios leves ou moderados. Mais uma vez, a dupla de fármacos não mostrou o efeito desejado. Mais que isso, os tratamentos testados foram associados a efeitos adversos mais frequentes, como arritmias e lesão no fígado. Diante do conhecimento acumulado até aqui, a defesa do “tratamento precoce” se mostra uma estratégia meramente eleitoral, que, infelizmente, encontra eco crescente em Goiânia.