Embora haja espaço para inconsistências, propositais ou não, a exigência de declaração de bens de candidatos a cargos públicos serve à democracia. Isso porque, na medida em que alguém põe o nome à disposição da sociedade, é razoável que tenha a biografia perscrutada no mínimo detalhe. Não pelo livre exercício da curiosidade, mas para municiar o eleitor.

Se alguém tem uma vida incompatível com a renda, já assume a obrigação imediata de justificar. A evolução patrimonial daqueles que ocupam cargos públicos também deve ser objeto de atenção. Cargos públicos servem para prestação de serviço, e não para enriquecimento acelerado de seus ocupantes.

Quanto maior a noção do patrimônio do candidato, maior o leque que perguntas que o eleitorado não só pode como deve fazer.

A legislação eleitoral e a lógica da transparência obrigam a divulgação dos números. Mas é preciso sempre estabelecer conexões, fazer recortes, e esmiuçá-los de modo a sinalizar uma realidade. Jogados, os números pouco dizem.

Reportagem do POPULAR na edição de ontem faz levantamento do patrimônio dos vereadores da capital, como forma de contribuição para um processo eleitoral mais maduro e consciente.