Prédios de valor histórico são heranças que as cidades tratam de forma distinta. Mas um padrão se impõe: ou os endereços cedem espaço a projetos novos ou a falta de preservação se encarrega de dizimá-los. Um estímulo para a mudança desse cenário vem à tona em estudo da organização norte-americana National Trust for Historic Preservation (NTHP). A conclusão é de que cidades com edificações mais antigas e menores registram mais altas densidades, diversidade, maior número de pequenos negócios e atividades empreendedoras e mais habitações acessíveis.

O relatório da NTHP se baseou em três cidades de complexos tecidos urbanos: São Francisco, Seattle e Washington D.C. Todas apontam para fenômenos semelhantes: bairros mais antigos e de uso misto são mais caminháveis e receptivos a projetos de economia criativa; pessoas jovens gostam e preferem morar em prédios mais velhos; a vida noturna é mais ativa e a ocupação se dá de forma mais equilibrada.

Reportagem na edição de ontem mostrou a preocupação do Ministério Público com a preservação de 615 imóveis tidos de valor histórico e arquitetônico na capital. Talvez a premissa da NTHP ofereça elementos para a sociedade debater o valor oculto desse patrimônio.