A quinta-feira (1) começou com uma informação para lá de entusiasmante. Na madrugada de hoje, 266.800 mil doses de vacinas aterrissariam em solo goiano, na maior remessa desde o começo do esforço de imunização. Ao romper a barreira de 1 milhão de imunizantes, Goiás caminhava a passos largos para proteger com a vacina todos os goianos com mais de 60 anos. Mas o contentamento foi interrompido por uma decisão inoportuna, para não dizer irresponsável.

As doses ficarão na central de frios do Estado até segunda-feira, quando enfim serão distribuídas aos municípios. Na capital, como mostra a foto de capa desta edição, houve quem desse com a cara na porta do Serra Dourada, tendo a esperança de imunização grosseiramente frustrada.

Autoridades de saúde alegam complicações logísticas e de recursos humanos. Porém, nenhuma explicação parece razoável diante do que está posto: enquanto pessoas morrem sem ar na fila da UTI, dezenas de milhares de doses da vacina ficarão intocadas por mais de 72 horas.

Depois das hesitações de ordem eleitoral vindas de Brasília, outras instâncias do poder parecem, em alguma medida, não compreender a gravidade da situação, a ponto de parar no meio do caos.