Ainda que seja improvável uma completa dissociação das eleições municipais do cenário nacional, onde impera um ranço ideológico violento e desagregador, é razoável supor que o eleitorado busque nesse pleito projetos e soluções mais concretos para a cidades. Em vez de promessas de defesa contra inimigos imaginários ou a aniquilação integral dos adversários, conceitos abstratos e imersos em desinformação, surgem propostas mais palpáveis, para problemas cotidianos e vivenciados pelas pessoas na esfera do real.

Daí a possibilidade de, nesse contexto, imaginar uma elevação do caráter democrático de uma eleição. Depois de anos vibrando na esfera da destruição, a política enfim sinaliza condições para construir algo.

Pois, nesse 15 de novembro, os goianienses decidiram conceder a si mesmos mais 15 dias de imersão nesse debate de propostas para a capital. É uma decisão sábia, sobretudo pelo caráter um tanto diagonal que a eleição assumiu em tempos de pandemia. Com mais tempo e menos projetos na mesa, abre-se a oportunidade para o aprofundamento da compreensão d o que pretende cada um dos dois candidatos e, a partir daí, decidir com firmeza. Que a picuinha ideológica não desvie o goianiense dessa missão.