Aos poucos, a realidade se oxigena - e o verbo, mais que metáfora, se faz literal. Reportagem principal

na edição de sexta-feira trouxe o fechamento de 123 leitos de atendimento exclusivo para Covid-19 no Estado, num reflexo da despressurização da demanda de saúde.

É uma estatística que reflete, em parte, o arrefecimento da pandemia em todo território nacional.

Do primeiro caso, em março, passando pelos

90 dias de um platô na casa das mil mortes diárias, finalmente uma queda se mostra consistente. Há uma semana, dia 5, a média móvel ficou em 820 óbitos, recuo de 15% em relação aos 14 dias anteriores. Outro dado alvissareiro chega pela taxa de transmissão da doença. Mês passado, o Brasil ficou com índice abaixo de 1, o que Imperial College, de Londres, define como uma parâmetro de controle. Nessa semana, 19 estados registraram menos mortes.

São todos números que dissipam o ar rarefeito, mas não devem ser tidos como carta branca para o afrouxamento dos cuidados. É preciso consolidar os avanços e evitar o agravamento de cenários. E não esquecer das mais de 128 mil vidas perdidas, que fazem do Brasil o segundo mais letal do planeta durante a pandemia, atrás apenas dos Estados Unidos.