Votar e participar no processo democrático é fundamental. O voto é o agente mais poderoso da mudança não violenta numa sociedade democrática.

Embora as eleições municipais transcorram com a atenção mais voltada a problemas concretos, um tanto livre do contágio ideológico que tem pautado de forma brutal a política no Brasil e no mundo, não é razoável dispensar a frase de John Lewis nesse domingo.

Congressista e líder do movimento do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Lewis morreu em julho, deixando um legado de mudança através da compaixão, mas também um alerta a respeito da fragilidade da democracia.

Hoje, a ameaça aos princípios do estado democrático de direito não chegam apenas pelas mãos dos ditadores, cada vez mais caricatos e isolados.

A perda vem de dentro, por forças políticas que se valem do jogo democrático, ascendem ao poder de forma legítima, para em seguida solapar as instituições, testando limites constitucionais e disseminando paranoias que, ao fim, inviabilizam qualquer debate público. Miremos no alerta de Lewis: não sendo o voto uma garantia, façamos uso dele para não abrir o flanco aos autoritários eternamente de plantão.