Na sexta-feira, Goiás completou o centésimo dia desde a primeira morte pelo novo coronavírus. De lá para cá, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde no mesmo dia, foram 27.502 casos de doença que, ao todo, tirou a vida de 602 goianos. Em cinco dias da semana passada, houve 167 mortes - no mais letal período da pandemia no Estado.

Há, talvez por obras de um mecanismo de manutenção da sanidade coletiva, uma tendência social à paulatina aceitação de tragédias.

É assim com a desigualdade social, com a insegurança pública, com a violência institucional: tudo é obra de ações e omissões, mas assume-se como natural.

Por essa razão, em determinados momentos, o jornalismo tem sua função de alertar para aquilo que escapa ao ordinário de alguma forma incompreendida, quando não hostilizada. A despeito das dificuldades, porém, O POPULAR não se afasta dessa responsabilidade. As biografias dos goianos que tiveram a vida abreviada, registradas nessa edição, buscam oferecer elementos para que a rudeza da realidade não encontre anestesia quando o assombro ainda se faz necessário. Não é confortável noticiar, revirar a dor de famílias. Mas um refúgio no silêncio, por qualquer motivo, seria imoral.