Governo de todas as inclinações ideológicas têm sensibilidade excessiva com estatísticas, sobretudo quando envolve a segurança pública. Da omissão de números absolutos de crimes sob o argumento de sigilo estratégico a mudanças de metodologia, tudo parece feito para não gerar desgaste eleitoral ao mandatário de plantão - e aqui, cabe frisar de novo, todos parecem interessados em controlar verdade que se manifesta pelos dados.

Ocorre que o objetivo do monitoramente não é favorecer a reputação de A ou B, mas compreender os fenômenos que, ao fim e ao cabo, se traduzem em violência para a população. Se os esforços são para dificultar a compreensão, como construir soluções?

Reportagem nessa edição mostra o efeito desse comportamento padrão de quem detém o poder. De 2009 para cá, Goiás teve 1.554 mortes violentas de causa indeterminada, segundo o Atlas da Violência 2021. No mesmo período, os homicídios tiveram queda - o que traz dividendo políticos às autoridades.

A real dimensão da violência só será alcançada quando houver um pacto de transparência, pelo qual o interesse e o direito da sociedade em ser informada estejam acima da conveniência eleitoral temporária dos governos.