Não é de hoje que o descompasso entre a realidade e o que expressam as estatísticas oficias não só impede a compreensão do momento, como cria obstáculos para a eficiência das políticas públicas. Afinal, se os números não expressam um problema com exatidão, como imaginar soluções possíveis?

Na pandemia, esse defeito crônico da gestão pública, manifesto em todas as esferas do poder, oferece um efeito colateral para além da impertinência das análises. Quando os dados não refletem a realidade, abre-se espaço para a construção de narrativas fantasiosas, criminosamente formuladas com propósitos eleitorais.

Nesse caso, o problema não apenas fica sem um enfrentamento inteligente. Passa a ser negado, de forma a favorecer determinados grupos políticos.

Quando os atuais inquilinos de Brasília se empenham em dividir esforços, eximindo-se de responsabilidades e sabotando as iniciativas de quem as assume, qualquer estatística mal construída serve de pretexto para alimentar mentiras inventadas.

Além da questão da transparência com o cidadão, é preciso que os governos estaduais e municipais atualizem constantemente as informações relativas ao combate ao Covid-19, sob pena de favorecer os omissos.