Um paradoxo se observou nesse fim de semana em Goiânia. Enquanto até os mais tolerantes aos arroubos negacionistas aguardam a vacinação com ansiedade, uma maratona promovida pelo Paço em formato drive-thru restou frustrada. Após 24 horas consecutivas de aplicação da primeira dose, 6,5 mil pessoas foram vacinadas até a manhã de ontem - pouco mais da metade da meta, de até 12 mil.

Como profissionais de saúde passaram a madrugada de prontidão para um público que simplesmente não apareceu, é possível dizer com objetividade que houve muito esforço para pouco resultado. Isso é preocupante, na medida em que há doses disponíveis e as variantes circulam com velocidade cada vez maior.

Antes de calcular o prejuízo político- eleitoral, que parece sugar preocupações, é forçoso refletir sobre o modelo adotado.

Se foi bom para a geração de holofotes e até mesmo bem-intencionada, a maratona não fez vacinas chegarem ao braço dos goianos. Talvez seja mais eficiente oferecê-las mais perto da casa das pessoas, sem exigência de carro para deslocamentos distantes. E seguir corrigindo as instabilidades do aplicativo, organizando o agendamento com mais horários durante a semana.